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Mini central solar de varanda: montagem e instalação

As mini centrais solares de varanda (também chamadas kits solares de tomada ou microprodução para autoconsumo) distinguem‑se sobretudo por serem pouco volumosas e fáceis de instalar. Mas como são, na prática, instalados os módulos fotovoltaicos e o inversor? E em que locais podem ser montadas estas pequenas centrais?

Nota sobre o enquadramento em Portugal
Em Portugal, estes sistemas enquadram‑se normalmente como UPAC – Unidade de Produção para Autoconsumo de pequena potência, ao abrigo do Decreto‑Lei n.º 15/2022 e da regulamentação da ERSE e da DGEG. Mesmo sendo “de varanda”, continuam a ser instalações elétricas e devem respeitar o Regulamento de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Elétrica (RSIUEE) e as regras técnicas da Rede Elétrica de Serviço Público (RESP).

Composição de uma mini central solar de varanda

Uma mini central solar típica é composta apenas por alguns elementos:

Composição de uma mini central solar de varanda Esquema simplificado: do módulo solar até à tomada

Os componentes em detalhe

Componente Função
1 Módulos fotovoltaicos (PV) Geram corrente contínua a partir da radiação solar
2 Inversor Converte corrente contínua em corrente alternada a 230 V
3 Tomada Ligação à instalação: tomada normal (Schuko) ou tomada dedicada conforme o caso
4 Equipamentos domésticos Utilizam diretamente a energia produzida
5 Contador bidirecional Regista a energia consumida e a injetada na rede
6 Rede pública Absorve o eventual excedente de produção

Percurso da energia

  1. A radiação solar incide sobre os módulos fotovoltaicos
  2. A corrente contínua (DC) segue para o inversor
  3. A corrente alternada (AC) é injetada na instalação elétrica da habitação
  4. Os consumidores utilizam prioritariamente a energia solar produzida
  5. O excedente não consumido é enviado para a rede pública (se o contador e o contrato o permitirem)

Locais de montagem: visão geral

As mini centrais solares podem ser montadas em vários locais – não apenas na varanda:

Locais de montagem para mini centrais solares Todos os locais de montagem para mini centrais solares de varanda num só olhar

1. Montagem na varanda

A solução clássica para quem vive em apartamento:

Local de montagem Inclinação Particularidades
Grade da varanda 30°–90° Frequentemente com estrutura de inclinação
Murete maciço 30°–90° Permite fixação muito estável
Pavimento da varanda 7°–35° Exige espaço livre suficiente

Vantagens da montagem na varanda:

  • Dispensa trabalhos em telhado
  • Passagem de cabos até à tomada é simples
  • Os módulos podem ser levados em caso de mudança de casa

Desvantagens:

  • Muitas vezes sem orientação ideal a sul
  • Possível sombreamento por outros edifícios ou varandas
  • É necessário verificar a capacidade estrutural da guarda/murete

2. Montagem na fachada

Os módulos são fixos à parede com suportes específicos:

Aspeto Detalhes
Inclinação Normalmente 90° (vertical)
Produção Inferior à de telhado inclinado, mas relativamente estável ao longo do ano
Vantagem Limpeza em grande parte assegurada pela chuva

3. Montagem no terraço/jardim

Com espaço disponível, é uma alternativa muito interessante:

Aspeto Detalhes
Instalação Estruturas de apoio autoportantes
Inclinação Pode ser ajustada de forma ótima (30°–35°)
Vantagem Orientação e inclinação facilmente otimizáveis
Desvantagem Necessita de mais área livre

4. Montagem no telhado

Tecnicamente semelhante a uma instalação fotovoltaica convencional, mas em formato mini:

Aspeto Detalhes
Adequado para Últimos pisos, marquises, garagens, carports, anexos e casas de jardim
Inclinação 7°–50°, consoante a inclinação do telhado
Instalação Na maioria dos casos recomenda‑se recurso a profissional

Normas e boas práticas em Portugal
Para o dimensionamento e verificação térmica do edifício, aplicam‑se o REH – Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (Portaria n.º 138‑I/2021) e o SCE – Sistema de Certificação Energética.
Para a parte elétrica, devem seguir‑se o RSIUEE, as Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão e as regras da E‑REDES para ligação de produção em baixa tensão.
A instalação em telhado deve ainda respeitar as regras de segurança estrutural e de ancoragem definidas no projeto de arquitetura/engenharia.

O inversor

O inversor é o “cérebro” da mini central solar:

Funções principais

  1. DC para AC: Converte a corrente contínua dos módulos em corrente alternada (230 V / 50 Hz) compatível com a rede
  2. MPPT: Maximum Power Point Tracking para extrair a potência máxima dos módulos em cada momento
  3. Controlo: Monitoriza e gere o funcionamento da instalação
  4. Segurança: Desliga automaticamente em caso de falha de rede (proteção anti‑ilha, exigida pelas regras da RESP)

Opções de montagem

Variante Descrição
Inversor externo Caixa separada, normalmente montada atrás dos módulos ou em parede abrigada
Microinversor (inversor de módulo) Integrado ou fixado diretamente junto de cada módulo

Bateria: faz sentido ou não?

Uma bateria permite armazenar temporariamente a energia produzida:

Vantagens com bateria

  • Possibilidade de utilizar parte da energia à noite ou ao fim do dia
  • Aumento da taxa de autoconsumo
  • Atenuação de picos de potência

Desvantagens

  • Custo de investimento significativamente mais elevado
  • Maior complexidade de instalação e de integração elétrica
  • Na maioria dos casos, não é economicamente atrativa em sistemas tão pequenos

Nota: Para a maioria dos utilizadores de mini centrais solares de varanda, um sistema de baterias não compensa financeiramente. O tempo de retorno do investimento aumenta de forma considerável.

Quando é que preciso de um profissional?

Em Portugal, qualquer intervenção na instalação elétrica fixa da habitação deve respeitar o RSIUEE e, consoante o caso, ser executada por técnico responsável de instalação elétrica devidamente credenciado.

Situação Montagem por não profissional?
Kit com ficha e tomada existente, potência reduzida (microinversor até algumas centenas de watts) ⚠️ Possível apenas se a instalação elétrica estiver conforme e a tomada for adequada; recomenda‑se sempre validação por eletricista
Ligação a tomada dedicada ou circuito próprio ❌ Deve ser executada por eletricista qualificado / técnico responsável
Ligação direta ao quadro elétrico ❌ Obrigatoriamente por profissional habilitado
Montagem em telhado inclinado ou de difícil acesso ⚠️ Fortemente recomendado recorrer a empresa especializada (segurança em altura, ancoragens, impermeabilização)
Substituição por contador bidirecional / adaptação do contador ❌ A cargo do operador de rede de distribuição (E‑REDES) ou entidade por este autorizada

Enquadramento legal e regulamentar em Portugal

  • A produção para autoconsumo é regulada pelo Decreto‑Lei n.º 15/2022 e respetiva regulamentação.
  • As pequenas instalações residenciais enquadram‑se como UPAC; acima de determinados limiares de potência é obrigatória a registo ou comunicação prévia junto da DGEG (via plataforma eletrónica).
  • A ligação à rede deve cumprir as regras técnicas da E‑REDES para produção em baixa tensão, incluindo requisitos de proteção anti‑ilha e parametrização do inversor.
  • A potência do sistema deve ser compatível com a potência contratada e com a capacidade da instalação interior.
  • Em edifícios em propriedade horizontal, podem ser necessárias autorizações do condomínio para instalação em fachadas ou coberturas comuns.

Importante: Ao contrário de alguns países onde é explicitamente permitido que leigos instalem “kits de tomada” até uma determinada potência, em Portugal a regra geral é que qualquer alteração relevante na instalação elétrica deve ser avaliada e, se aplicável, executada por profissional habilitado, em conformidade com o RSIUEE.

Lista de verificação para a montagem

Antes da instalação:

  • [ ] Verificar o local quanto a sombreamentos (varandas superiores, árvores, edifícios)
  • [ ] Confirmar a capacidade estrutural da guarda, murete ou estrutura de suporte
  • [ ] Planear a orientação (idealmente sul; sudeste/sudoeste também são aceitáveis)
  • [ ] Verificar o percurso e o comprimento dos cabos até ao ponto de ligação
  • [ ] Confirmar se o contador é bidirecional e se o contrato permite injeção na rede ou apenas autoconsumo
  • [ ] Verificar necessidade de autorização do condomínio ou do proprietário

Durante a instalação:

  • [ ] Fixar os módulos de forma segura, resistente ao vento e à corrosão
  • [ ] Montar o inversor em local ventilado, protegido de chuva direta e radiação excessiva
  • [ ] Passar os cabos de forma ordenada, protegidos de arestas vivas e raios UV
  • [ ] Garantir que a ficha e a tomada são adequadas à potência e em bom estado
  • [ ] Ligar o sistema e verificar o funcionamento (indicadores do inversor, eventual monitorização via app)

Após a instalação:

  • [ ] Registar a UPAC na plataforma da DGEG, se aplicável, de acordo com a potência instalada
  • [ ] Confirmar com a E‑REDES (ou outro operador de rede, se aplicável) a situação do contador e da injeção de excedentes
  • [ ] Acompanhar regularmente a produção (aplicação do inversor ou registos manuais)
  • [ ] Limpar os módulos quando necessário (pó, excrementos de aves, folhas) para manter o rendimento
  • [ ] Guardar documentação técnica (fichas dos módulos, inversor, esquemas elétricos, comprovativos de registo)

Incentivos e certificação energética em Portugal

Embora não exista, à data, um programa nacional específico apenas para “kits de varanda”, as mini centrais solares podem enquadrar‑se em programas mais abrangentes de eficiência energética e renováveis:

  • Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental – avisos periódicos): comparticipação de parte do investimento em painéis solares fotovoltaicos, isolamento térmico, janelas eficientes e bombas de calor em habitações existentes.
  • Vale Eficiência: apoio dirigido a famílias em situação de vulnerabilidade energética, que pode incluir medidas de melhoria da eficiência e instalação de renováveis.
  • Benefícios fiscais pontuais (por exemplo, dedução em IRS de uma fração de despesas com energias renováveis ou obras de reabilitação energética, quando previstos no Orçamento do Estado em vigor).

Ligação com o SCE
A instalação de produção fotovoltaica para autoconsumo pode contribuir para melhorar a classe energética do edifício no SCE – Sistema de Certificação Energética, regulado pela ADENE.
Em Portugal, os edifícios são classificados de A+ a F, e a instalação de renováveis, isolamento e equipamentos eficientes (como bombas de calor) é considerada no cálculo, de acordo com o REH e normas associadas (por exemplo, EN ISO 52016 para cálculo de necessidades energéticas e EN ISO 6946 para coeficientes de transmissão térmica – U‑values – transpostas para a regulamentação nacional).

Conclusão

Em síntese: A montagem de uma mini central solar de varanda é, em muitos casos, relativamente simples do ponto de vista mecânico e pode ser realizada pelo próprio. Varandas, terraços, fachadas e telhados são locais adequados, desde que se assegurem uma fixação segura, uma boa orientação e a ausência de sombreamentos significativos.
No entanto, a ligação elétrica deve respeitar o enquadramento legal português (UPAC, RSIUEE, regras da RESP) e, sempre que envolva alterações na instalação fixa ou ligação ao quadro, deve ser efetuada por profissional habilitado. Um contador bidirecional corretamente configurado e o cumprimento das regras da DGEG e da E‑REDES são essenciais para um funcionamento seguro e conforme.

O passo seguinte: Condições técnicas e legais

Fontes