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De fóton a volt: como funciona uma célula solar?

Introdução: energia solar no semicondutor

Quer se fale em central solar, módulo fotovoltaico ou célula solar, em todos os termos aparece a palavra “solar” – do latim solaris, “relativo ao Sol”. A radiação do nosso Sol, além de essencial para a vida, tem também um enorme potencial técnico.

O princípio de base de qualquer instalação fotovoltaica é sempre o mesmo: a energia luminosa é convertida diretamente em energia elétrica. Isto é possível porque semicondutores específicos, como o silício, libertam eletrões quando são iluminados. Neste artigo fica a saber, passo a passo, como este processo decorre.

Efeito fotovoltaico: a base de tudo

No efeito fotovoltaico, em determinadas condições de material, os fotões (partículas de luz) que incidem sobre o semicondutor fornecem energia suficiente para arrancar eletrões das suas órbitas ligadas ao átomo. Mas como é que da luz se obtém corrente elétrica utilizável? É aqui que entra a junção P‑N.

O que é uma junção P‑N?

A junção P‑N é a zona de fronteira entre dois semicondutores com propriedades de condução diferentes. Esta zona é criada através da dopagem – a introdução controlada de átomos estranhos no silício:

  • Silício dopado tipo P (por exemplo, com boro): Tem lacunas (lugares livres para eletrões), comporta‑se como lado positivo (átomos aceitadores)
  • Silício dopado tipo N (por exemplo, com fósforo): Tem eletrões livres, comporta‑se como lado negativo (átomos dadores)
  • Zona de carga espacial: Na fronteira entre as regiões P e N forma‑se um campo elétrico responsável pela separação de cargas

Os eletrões livres junto à fronteira do lado N difundem‑se para as lacunas do lado P. Este movimento inicial de carga cria o campo elétrico na zona de transição.

Do fóton à tensão: o processo passo a passo

O percurso “de fóton a volt” pode descrever‑se em poucas etapas:

  1. O fóton atinge a zona de junção: Uma partícula de luz chega à junção P‑N ou à sua vizinhança imediata
  2. Libertação do eletrão: O fóton transfere a sua energia para um eletrão, que se liberta do átomo e deixa para trás uma “lacuna” com carga positiva
  3. Separação de cargas: O campo elétrico da zona de carga espacial empurra os eletrões para o lado N e as lacunas para o lado P
  4. Geração de tensão: A separação espacial das cargas cria uma diferença de potencial elétrico utilizável
  5. Circulação de corrente: Quando se liga um consumidor, passa a circular corrente elétrica – podem ser alimentados equipamentos domésticos, bombas de calor ou outras cargas elétricas

Representação esquemática de uma célula solar com junção P‑N e fluxo de eletrões

Einstein e o efeito fotoelétrico

Albert Einstein não recebeu o Prémio Nobel pela célebre teoria da relatividade com a fórmula E = mc², mas sim, em 1921, pela explicação do efeito fotoelétrico. O efeito fotovoltaico é um caso particular desse efeito fotoelétrico.

Sem as descobertas de Einstein, tecnologias atuais como smartphones, internet, microchips e também os sistemas fotovoltaicos não teriam sido possíveis na forma como os conhecemos.

Principais indicadores de uma célula solar

Rendimento (eficiência) do módulo

O rendimento indica que fração da energia solar incidente é efetivamente convertida em energia elétrica:

  • Módulos monocristalinos: 18–24% (maior eficiência)
  • Módulos policristalinos: 15–20% (boa relação custo‑benefício)
  • Módulos de película fina: 8–15% (integração fácil, aplicações flexíveis)
  • Células experimentais: Até cerca de 47% em laboratório (células tandem)

Para comparação: uma lâmpada incandescente antiga converte apenas cerca de 5% da energia em luz – o resto perde‑se sob a forma de calor.

Coeficiente de temperatura

À medida que a temperatura do módulo aumenta, a tensão diminui e, com ela, a potência. Valores típicos:

  • Por cada aumento de 1 °C na temperatura do módulo, a potência reduz‑se cerca de 0,3–0,5%
  • A 40 °C de temperatura de módulo em vez de 25 °C (condição padrão), um módulo perde já cerca de 4,5–7,5% de potência

Sombreamento e díodos de bypass

O sombreamento parcial de um módulo reduz fortemente a corrente – e não apenas de forma proporcional à área sombreada. Os díodos de bypass limitam estas perdas de produção, contornando as células sombreadas.

Escolha de material em resumo

Tecnologia Rendimento Vantagens Desvantagens
Monocristalino 18–24% Maior eficiência, longa vida útil Custo mais elevado
Policristalino 15–20% Mais económico, tecnologia consolidada Eficiência um pouco menor
Película fina 8–15% Flexível, leve, mais tolerante a sombra Rendimento mais baixo

Conclusão

Em resumo: A célula solar é o coração de qualquer sistema fotovoltaico. Graças ao efeito fotovoltaico e à estrutura inteligente com semicondutores dopados, a luz do sol é convertida diretamente em corrente elétrica.

Próximo passo: Estrutura de uma instalação fotovoltaica: do módulo à injeção na rede

Fontes e leitura adicional


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