SCOP explicado: como avaliar a eficiência das bombas de calor
O SCOP na etiqueta energética da UE

Desde 2019, todas as bombas de calor vendidas na União Europeia têm de exibir uma etiqueta energética com uma classe de eficiência de A+++ a D. A base desta classificação é o SCOP – um indicador determinado segundo a norma europeia EN 14825, que representa a eficiência ao longo de toda uma época de aquecimento.
O SCOP difere de forma fundamental do valor COP mais antigo: enquanto o COP é medido apenas para uma temperatura exterior específica (por exemplo A2/W35), o SCOP resulta da ponderação de vários pontos de funcionamento de acordo com a sua frequência numa época de aquecimento típica. Para o clima de referência da Europa Central consideram‑se as temperaturas +12 °C, +7 °C, +2 °C e –7 °C.
Este artigo explica o cálculo do SCOP, enquadra valores típicos para diferentes tipos de bombas de calor e mostra a relação com o valor ETAs, relevante para a avaliação da eficiência sazonal e para o acesso a incentivos em Portugal.
Nota para Portugal:
A metodologia de ensaio e cálculo do SCOP é harmonizada a nível europeu pela EN 14825, aplicada também em Portugal através do sistema de etiquetagem energética gerido pela DGEG e pela ADENE (SCE). Os valores de SCOP constantes nas fichas técnicas e etiquetas dos fabricantes são, por isso, diretamente comparáveis em todo o espaço da UE.
O que é o SCOP?
SCOP significa Seasonal Coefficient of Performance – em português: coeficiente sazonal de desempenho. O valor indica quanta energia térmica uma bomba de calor produz, em média durante uma época de aquecimento, a partir de 1 kWh de energia elétrica.
O cálculo é efetuado de acordo com a norma europeia EN 14825. Ao contrário do COP, que é medido apenas para uma condição de temperatura, o SCOP integra vários pontos de funcionamento.
Os quatro pontos de medição
Para a zona climática média (à qual Portugal continental também pertence no contexto da etiqueta europeia), são determinados valores COP para as seguintes temperaturas exteriores:
| Ponto de medição | Temperatura exterior | Peso na época de aquecimento |
|---|---|---|
| Ponto 1 | +12 °C | Meia‑estação (muito frequente) |
| Ponto 2 | +7 °C | Inverno ameno |
| Ponto 3 | +2 °C | Inverno típico |
| Ponto 4 | –7 °C | Inverno frio (pouco frequente) |
Estes valores individuais são depois combinados com ponderações específicas. Como na Europa Ocidental e em grande parte de Portugal são mais frequentes temperaturas amenas do que frio intenso, os pontos de medição a +7 °C e +2 °C têm maior influência no SCOP.
Atenção à temperatura de ida (vazão)
O SCOP é indicado para diferentes temperaturas de ida do sistema de aquecimento. As mais usuais são:
- SCOP 35 (também LT – Low Temperature): para sistemas de baixa temperatura, como piso radiante
- SCOP 55 (também MT – Medium Temperature): para radiadores convencionais
O SCOP 35 é sempre superior ao SCOP 55, porque a bomba de calor trabalha de forma mais eficiente com temperaturas de ida mais baixas. Na etiqueta energética da UE é indicado, por regra, o SCOP para 55 °C – este é o valor mais relevante para muitos edifícios existentes, que ainda necessitam de temperaturas de ida mais elevadas.
As três zonas climáticas europeias
Para o cálculo do SCOP, a UE divide a Europa em três zonas climáticas com perfis de temperatura distintos:
| Zona climática | Local de referência | Países típicos | Ponto de medição adicional |
|---|---|---|---|
| Norte da Europa | Helsínquia | Finlândia, Suécia, Noruega | –15 °C |
| Europa Central | Estrasburgo | Alemanha, Áustria, Suíça, França, Portugal (perfil de referência) | – |
| Sul da Europa | Atenas | Grécia, Espanha, Itália | +2 °C não é considerado |
Na etiqueta energética da UE é sempre apresentado o SCOP para a zona climática média (perfil de Estrasburgo). Os fabricantes podem, adicionalmente, indicar valores para as outras zonas.
Para compradores em Portugal, o perfil de Estrasburgo é geralmente adequado como referência. Em zonas de serra com invernos mais frios (por exemplo, Serra da Estrela ou Trás‑os‑Montes), a eficiência real pode ser ligeiramente inferior ao SCOP indicado; em zonas costeiras mais amenas, a eficiência real tende a aproximar‑se ou até superar ligeiramente o valor de catálogo.
SCOP vs. COP vs. JAZ – as diferenças

Estes três indicadores são frequentemente confundidos, embora descrevam aspetos diferentes:
COP (Coefficient of Performance)
O COP é um valor instantâneo medido em condições laboratoriais normalizadas. É determinado segundo a EN 14511 para temperaturas fixas, por exemplo:
- A2/W35: ar exterior 2 °C, temperatura de ida 35 °C
- B0/W35: salmoura (solo) 0 °C, temperatura de ida 35 °C
O COP é útil para comparar tecnicamente equipamentos em condições idênticas. No entanto, diz pouco sobre a eficiência em funcionamento real ao longo de todo o ano.
SCOP (Seasonal COP)
O SCOP é uma média ponderada de vários valores COP ao longo de uma época de aquecimento típica. É mais representativo do que o COP, porque considera diferentes temperaturas exteriores. O SCOP é a base da etiqueta energética da UE e dos requisitos mínimos de eficiência.
JAZ (Jahresarbeitszahl) – fator de desempenho anual
A JAZ é o valor de eficiência real de uma bomba de calor instalada, ao longo de um ano de funcionamento. Só pode ser determinada após a instalação e considera todos os fatores específicos: isolamento do edifício, comportamento dos utilizadores, clima local, regulação e configuração do sistema.
Em Portugal, este conceito corresponde ao fator de desempenho sazonal/ anual em serviço, que pode ser determinado com base em medições reais ou por cálculo segundo metodologias do SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, gerido pela ADENE.
Quando é relevante cada valor
| Situação | Indicador relevante |
|---|---|
| Comparar equipamentos antes da compra | SCOP (e COP para comparação técnica detalhada) |
| Avaliar elegibilidade para incentivos | ETAs (derivado do SCOP) e requisitos específicos dos programas do Fundo Ambiental |
| Verificar a eficiência do seu sistema instalado | JAZ / fator de desempenho anual em serviço |
| Contribuir para o certificado energético do edifício | Fator de desempenho sazonal/anual segundo metodologias do SCE (baseado em SCOP/JAZ) |
O que é um bom valor de SCOP?
Os valores de SCOP alcançáveis dependem fortemente do tipo de bomba de calor e da temperatura de ida. Em termos gerais: quanto mais constante for a fonte de calor, maior será o SCOP.
Valores de referência por tipo de bomba de calor
Para 35 °C de temperatura de ida (piso radiante):
| Tipo de bomba de calor | Médio | Bom | Muito bom |
|---|---|---|---|
| Ar‑água | 3,5–4,0 | 4,0–4,5 | > 4,5 |
| Salmoura‑água (geotérmica) | 4,2–4,7 | 4,7–5,2 | > 5,2 |
| Água‑água | 5,0–5,5 | 5,5–6,5 | > 6,5 |
Para 55 °C de temperatura de ida (radiadores):
| Tipo de bomba de calor | Médio | Bom | Muito bom |
|---|---|---|---|
| Ar‑água | 2,8–3,2 | 3,2–3,6 | > 3,6 |
| Salmoura‑água (geotérmica) | 3,3–3,8 | 3,8–4,2 | > 4,2 |
| Água‑água | 4,0–4,5 | 4,5–5,0 | > 5,0 |
Estes intervalos são válidos como ordem de grandeza também para o contexto português, assumindo instalação correta e dimensionamento adequado.
Porque é que as bombas de calor geotérmicas têm melhor desempenho
As bombas de calor ar‑água têm uma desvantagem estrutural: quando está mais frio no exterior e a necessidade de aquecimento é maior, a eficiência diminui. A –7 °C de temperatura exterior, uma bomba de calor ar‑água trabalha de forma significativamente menos eficiente do que a +7 °C.
As bombas de calor salmoura‑água e água‑água utilizam, pelo contrário, fontes de calor com temperatura praticamente constante: o solo, a partir de cerca de 1,5 m de profundidade, mantém‑se ao longo do ano na ordem dos 8–12 °C, e a água subterrânea situa‑se tipicamente entre 8–15 °C em Portugal. Estas condições estáveis permitem alcançar SCOP mais elevados.
A tecnologia inverter melhora o SCOP
Bombas de calor modernas com tecnologia inverter conseguem ajustar a sua potência de forma contínua às necessidades de aquecimento. Em carga parcial – ou seja, com tempo ameno, quando é necessária pouca potência – trabalham de forma particularmente eficiente.
Graças à modulação inverter, são possíveis melhorias de SCOP da ordem de 8–15 % face a bombas de calor de velocidade fixa. Equipamentos de topo atingem hoje SCOP superiores a 5,0 para 35 °C de temperatura de ida.
ETAs: eficiência energética sazonal para aquecimento ambiente
Para efeitos de avaliação da eficiência sazonal e de comparação entre equipamentos, não é o SCOP em si que é utilizado nos regulamentos europeus, mas sim o valor derivado ETAs (símbolo grego: ηs). ETAs significa eficiência energética sazonal para aquecimento ambiente e é expresso em percentagem.
Este indicador é utilizado na regulamentação europeia de conceção ecológica (Ecodesign) e na etiquetagem energética de equipamentos de aquecimento, sendo igualmente relevante em Portugal para a qualificação de equipamentos em programas de incentivo do Fundo Ambiental e para o cumprimento de requisitos mínimos de eficiência em edifícios novos e grandes reabilitações ao abrigo do SCE e do REH (Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação).
A fórmula
ETAs (%) = (SCOP ÷ 2,5) × 100
O divisor 2,5 corresponde ao fator de energia primária de referência para o mix elétrico europeu utilizado na regulamentação. Considera que, para produzir 1 kWh de eletricidade, são necessários cerca de 2,5 kWh de energia primária.
Exemplos de cálculo
| SCOP | Cálculo de ETAs | ETAs |
|---|---|---|
| 3,0 | 3,0 ÷ 2,5 × 100 | 120 % |
| 3,5 | 3,5 ÷ 2,5 × 100 | 140 % |
| 4,0 | 4,0 ÷ 2,5 × 100 | 160 % |
| 4,5 | 4,5 ÷ 2,5 × 100 | 180 % |
| 5,0 | 5,0 ÷ 2,5 × 100 | 200 % |
Um ETAs superior a 100 % significa que, a partir da energia primária consumida para produzir a eletricidade, se obtém mais calor útil do que seria possível com uma combustão direta num sistema convencional.
Requisitos mínimos e apoios em Portugal
A regulamentação europeia define valores mínimos de ETAs para que os equipamentos possam ser colocados no mercado. Em Portugal, estes requisitos são aplicados através dos regulamentos nacionais de desempenho energético dos edifícios:
- SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, gerido pela ADENE
- REH (Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação) e RECS (para serviços), aprovados pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e respetivas alterações
Para efeitos de incentivos financeiros, como os programas do Fundo Ambiental (por exemplo, “Edifícios mais Sustentáveis” ou “Vale Eficiência”), são normalmente exigidos:
- Equipamentos com classe de eficiência energética A+ ou superior para aquecimento ambiente, de acordo com a etiqueta energética da UE (o que corresponde, na prática, a valores de SCOP e ETAs relativamente elevados);
- Cumprimento das normas europeias de ensaio (EN 14825, EN 14511, entre outras).
Em resumo para Portugal:
Ao escolher uma bomba de calor com classe A+ ou superior para aquecimento ambiente, está, em regra, a cumprir os requisitos mínimos de eficiência dos principais programas de apoio nacionais. O valor ETAs, quando indicado na ficha técnica, permite confirmar esta conformidade de forma quantitativa.
SCOP na etiqueta energética da UE
Desde 2019, todas as bombas de calor para aquecimento de ambiente têm de apresentar uma etiqueta energética da UE. A escala de eficiência vai de A+++ (melhor classe) a D (pior classe ainda permitida).
O que mostra a etiqueta
A etiqueta energética para bombas de calor inclui:
- A classe de eficiência energética (A+++ a D)
- A potência térmica em kW
- O nível de potência sonora em dB(A)
- O SCOP para a zona climática média, normalmente para 55 °C de temperatura de ida
Em Portugal, esta etiqueta é obrigatória para a comercialização de equipamentos e é reconhecida no âmbito do SCE e dos programas de incentivo do Fundo Ambiental.
Classes de eficiência e SCOP
| Classe de eficiência | SCOP (a 55 °C) | Tipos de bomba de calor típicos |
|---|---|---|
| A+++ | ≥ 5,1 | Melhores bombas geotérmicas e água‑água |
| A++ | 4,6–5,1 | Boas bombas geotérmicas, melhores ar‑água |
| A+ | 4,0–4,6 | Bombas de calor ar‑água padrão |
| A | 3,4–4,0 | Modelos básicos |
A maioria das bombas de calor ar‑água atinge A++ para 35 °C de temperatura de ida, mas apenas A+ para 55 °C. Bombas de calor salmoura‑água e água‑água conseguem, mesmo com temperaturas de ida mais elevadas, classes A++ ou A+++.
Exemplo prático: comparação de SCOP com cálculo de custos
Um exemplo numérico ajuda a perceber como diferentes valores de SCOP influenciam os custos de exploração.
Situação de partida
- Moradia unifamiliar com 150 m²
- Necessidades anuais de aquecimento: 15.000 kWh
- Preço da eletricidade: 0,30 €/kWh (tarifa indicativa)
Comparação de duas bombas de calor
| Característica | Bomba de calor A | Bomba de calor B |
|---|---|---|
| Tipo | Ar‑água | Ar‑água |
| SCOP (55 °C) | 3,2 | 3,8 |
| Preço de aquisição | 12.000 € | 15.000 € |
Consumo de eletricidade e custos
Bomba de calor A (SCOP 3,2):
- Consumo elétrico: 15.000 kWh ÷ 3,2 = 4.688 kWh/ano
- Custo anual de eletricidade: 4.688 × 0,30 € = 1.406 €/ano
Bomba de calor B (SCOP 3,8):
- Consumo elétrico: 15.000 kWh ÷ 3,8 = 3.947 kWh/ano
- Custo anual de eletricidade: 3.947 × 0,30 € = 1.184 €/ano
Poupança e amortização
A bomba de calor mais eficiente (B) poupa cerca de 222 € por ano em custos de eletricidade. O custo adicional de 3.000 € amortiza‑se assim em aproximadamente 13,5 anos – mais rapidamente se o preço da eletricidade aumentar ou se for possível combinar a bomba de calor com produção fotovoltaica própria.
Sugestão para Portugal:
Antes de decidir, verifique se a bomba de calor pretendida é elegível nos programas do Fundo Ambiental (por exemplo, “Edifícios mais Sustentáveis” ou “Vale Eficiência”) e se cumpre os requisitos mínimos de classe energética (normalmente A+ ou superior). A combinação com painéis fotovoltaicos pode reduzir significativamente os custos de exploração.
Enquadramento em Portugal: normas, regulamentos e apoios
Embora o SCOP seja definido por normas europeias comuns, o enquadramento regulamentar e os apoios variam de país para país. Em Portugal, são particularmente relevantes os seguintes aspetos:
Normas e métodos de cálculo
- EN 14825 – base para o cálculo do SCOP e da eficiência sazonal (ETAs) de bombas de calor, aplicada em Portugal através da regulamentação europeia de Ecodesign e etiquetagem energética.
- EN 14511 – condições de ensaio para determinação do COP.
- EN ISO 6946 – cálculo de coeficientes de transmissão térmica (valores U) de elementos da envolvente; utilizada em Portugal nos métodos de cálculo do SCE e dos regulamentos REH/RECS.
- Metodologias SCE (ADENE) – definem o cálculo do desempenho energético dos edifícios, incluindo o contributo de bombas de calor, isolamento térmico e sistemas solares.
Regulamentação de desempenho energético dos edifícios
- Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020, com as alterações subsequentes – estabelece o regime aplicável ao desempenho energético dos edifícios em Portugal.
- REH (Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação) e RECS (para comércio e serviços) – definem requisitos mínimos de:
- isolamento térmico (valores U máximos para paredes, coberturas, pavimentos e vãos envidraçados);
- eficiência dos sistemas técnicos de climatização, incluindo bombas de calor;
- integração de energias renováveis (por exemplo, obrigação de sistemas solares térmicos ou fotovoltaicos em determinados edifícios novos).
- SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios – obriga à emissão de certificados energéticos para edifícios novos, grandes reabilitações e transações (venda/arrendamento). A classe energética do edifício tem em conta:
- o desempenho da envolvente (valores U calculados segundo EN ISO 6946 e normas associadas);
- a eficiência dos sistemas (incluindo SCOP/ETAs das bombas de calor);
- a contribuição de renováveis (solar térmico, fotovoltaico, biomassa, etc.).
Etiquetas energéticas e certificados em Portugal
- Etiqueta energética da UE para equipamentos – obrigatória para bombas de calor, caldeiras, aparelhos de ar condicionado, etc. A etiqueta indica:
- classe de eficiência (A+++ a D);
- SCOP/SEER e ETAs para aquecimento e arrefecimento;
- potência sonora e outras características.
- Certificado energético do edifício (SCE) – emitido por peritos qualificados, com classes de A+ a F. Difere da etiqueta de equipamento:
- avalia o edifício como um todo, não apenas a bomba de calor;
- utiliza metodologias de cálculo nacionais (baseadas em normas europeias) e considera clima local, orientação, isolamento, sistemas, etc.
Programas de apoio e incentivos financeiros
Em Portugal, não existem equivalentes diretos às entidades alemãs BAFA ou KfW. Em vez disso, os principais apoios são geridos pelo Fundo Ambiental e por programas financiados por fundos europeus (como o PRR). Alguns exemplos relevantes (programas e condições podem ser atualizados ao longo do tempo):
-
Programa “Edifícios mais Sustentáveis” (Fundo Ambiental)
- Apoia intervenções em edifícios de habitação existentes, incluindo:
- instalação ou substituição de bombas de calor de elevada eficiência;
- reforço de isolamento térmico (paredes, coberturas, pavimentos);
- instalação de janelas eficientes;
- sistemas solares térmicos e fotovoltaicos.
- Apoios típicos (valores indicativos, sujeitos a alteração em novos avisos):
- comparticipação até cerca de 70–85 % do investimento elegível, com tetos máximos por medida (por exemplo, alguns milhares de euros para bombas de calor e sistemas solares).
- Requisitos gerais:
- edifício existente e legalizado;
- cumprimento de requisitos mínimos de classe energética dos equipamentos (normalmente A+ ou superior);
- apresentação de faturas, fichas técnicas e, em muitos casos, certificado energético antes e/ou depois da intervenção.
-
Programa “Vale Eficiência” (Fundo Ambiental)
- Dirigido a famílias em situação de vulnerabilidade energética;
- Concede vales para:
- aquisição de equipamentos eficientes (incluindo bombas de calor e ar condicionado de alta eficiência);
- melhoria do isolamento térmico;
- instalação de sistemas solares.
- Os equipamentos apoiados têm de cumprir requisitos mínimos de classe energética (A+ ou superior, consoante a tipologia).
-
Incentivos a energias renováveis e eficiência energética no âmbito do PRR e de fundos europeus
- Programas específicos para:
- reabilitação energética de edifícios públicos e de serviços;
- apoio a comunidades de energia renovável e autoconsumo coletivo (incluindo PV associado a bombas de calor);
- projetos de eficiência energética em empresas.
-
Benefícios fiscais pontuais
- Em determinados anos, têm existido:
- majorações em deduções à coleta em sede de IRS para despesas com eficiência energética;
- taxas reduzidas de IVA para alguns equipamentos de energias renováveis (por exemplo, painéis solares) quando integrados em determinados contextos habitacionais.
Em Portugal, o equivalente funcional à “BEG‑Förderung” alemã são os programas do Fundo Ambiental e os incentivos enquadrados no PRR e noutros fundos europeus, que apoiam a instalação de bombas de calor eficientes, isolamento térmico e sistemas solares, desde que cumpridos requisitos técnicos e de eficiência (incluindo classes energéticas baseadas em SCOP/ETAs).
Conclusão
Em síntese: O SCOP é o indicador mais robusto para comparar a eficiência de bombas de calor antes da compra. Considera as variações sazonais de temperatura ao longo de uma época de aquecimento e serve de base à etiqueta energética da UE e aos requisitos mínimos de eficiência. Ao analisar o SCOP, é essencial verificar sempre a temperatura de ida a que se refere: o SCOP 35 para sistemas de baixa temperatura é inevitavelmente mais elevado do que o SCOP 55 para radiadores convencionais. Bombas de calor salmoura‑água e água‑água atingem, devido à constância da fonte de calor, valores de SCOP sistematicamente superiores aos das bombas ar‑água.
Na prática, o valor de eficiência real – o fator de desempenho anual (JAZ) – diferirá do SCOP, porque depende de fatores específicos como o isolamento do edifício, o modo de utilização e o clima local. Ainda assim, o SCOP continua a ser o melhor indicador disponível para comparar equipamentos e fundamentar a decisão de investimento, bem como para verificar o cumprimento dos requisitos de eficiência em programas de apoio em Portugal.
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Para saber mais
O artigo Indicadores e dimensionamento explica outros indicadores importantes, como o GWP (potencial de aquecimento global do fluido frigorigéneo), e apresenta regras práticas para o dimensionamento correto. Quem estiver interessado na combinação de bomba de calor com fotovoltaico encontra no artigo Tipos de bombas de calor e a “equipa de sonho” com sistemas solares recomendações práticas para o contexto português.
Fontes
- EN 14825: condições de ensaio e requisitos para determinação do desempenho sazonal
- Comissão Europeia – Regulamentação de etiquetagem energética e Ecodesign para aquecimento
- DGEG – Direção‑Geral de Energia e Geologia: etiquetagem energética
- ADENE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE)
- Fundo Ambiental – Programas “Edifícios mais Sustentáveis” e “Vale Eficiência”
- SBZ-Online: Durchblick bei COP, SCOP und ESCOP
- Energie-Experten: ETAs bei Wärmepumpen
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