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Fotovoltaico: O guia completo

A expansão da energia fotovoltaica tem crescido de forma muito rápida em toda a Europa. Em Portugal, a combinação de mais horas de sol do que a média europeia, a descida acentuada dos preços dos módulos solares desde 2020 (mais de 50%) e a manutenção de preços de eletricidade relativamente elevados torna o fotovoltaico particularmente atrativo para famílias e pequenas empresas.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse em soluções integradas: bombas de calor, baterias e mobilidade elétrica podem ser articuladas com uma instalação fotovoltaica. Em especial, a combinação com bombas de calor ar‑ar (splits de climatização) permite reforçar sistemas de aquecimento existentes de forma rápida e com investimento moderado.

Este guia explica os fundamentos do fotovoltaico, apresenta os principais componentes, aborda custos e rentabilidade, enquadra os apoios disponíveis em Portugal e mostra como combinar a produção solar com bombas de calor.


Como funciona o fotovoltaico?

O fotovoltaico converte diretamente a luz do sol em energia elétrica. O nome resulta da combinação do grego "photos" (luz) com "Volta" (em homenagem a Alessandro Volta, pioneiro da eletricidade).

O efeito fotovoltaico

Numa célula solar, as partículas de luz (fotões) incidem sobre um material semicondutor, geralmente silício. Este processo liberta eletrões das suas ligações, permitindo que circulem sob a forma de corrente elétrica. Este fenómeno designa‑se por efeito fotovoltaico.

De forma simplificada, o processo decorre em três etapas:

  1. Absorção da luz: os fotões penetram na célula solar
  2. Separação de cargas: os eletrões são libertados e separados das “lacunas”
  3. Fluxo de corrente: os eletrões fluem através de um circuito externo

A tensão gerada por uma única célula de silício situa‑se tipicamente entre 0,5 e 0,7 Volt. Para obter tensões úteis, muitas células são ligadas em série, formando um módulo.

Uma explicação mais detalhada da física encontra‑se no artigo Do fotão ao Volt: como funciona uma célula solar?.


Componentes de uma instalação fotovoltaica

Uma instalação fotovoltaica ligada à rede é composta por vários elementos principais que têm de funcionar em conjunto.

Módulos solares

O módulo solar é o coração da instalação. Os módulos atuais baseiam‑se maioritariamente em silício cristalino e atingem rendimentos de 20 a 23%. Módulos de gama alta com tecnologia TOPCon ou heterojunction ultrapassam os 22%.

Comparação dos tipos de módulos mais comuns:

Tipo de módulo Rendimento Preço Características
Monocristalino PERC 19–21% Médio Padrão atual, boa relação preço/desempenho
Monocristalino TOPCon 21–23% Mais elevado Maior eficiência, melhor desempenho em baixa luminosidade
Policristalino 16–18% Baixo Tecnologia em desuso, raramente instalada hoje
Película fina 10–13% Baixo Flexível, para aplicações especiais

Um módulo padrão tem hoje uma potência de 400 a 450 Watt, com dimensões aproximadas de 1,7 × 1,1 metros.

Inversor

O inversor converte a corrente contínua (DC) produzida pelos módulos em corrente alternada (AC) compatível com a rede. Sem inversor, a energia solar não poderia ser utilizada nas instalações elétricas da habitação.

Existem três configurações principais de inversores:

Inversores de string são a solução mais comum. Vários módulos são ligados em série (string) e conectados a um inversor central. Vantagem: solução económica e eficiente. Desvantagem: sombreamento parcial reduz o rendimento de todo o string.

Microinversores são instalados diretamente sob cada módulo. Cada módulo funciona de forma independente, pelo que o sombreamento de um não afeta os restantes. Vantagem: rendimento otimizado em coberturas complexas. Desvantagem: custo mais elevado.

Inversores híbridos combinam a função de inversor com o controlador de carga da bateria. Permitem integrar um sistema de armazenamento sem necessidade de equipamentos adicionais.

Mais detalhes sobre os diferentes conceitos de inversores no artigo AC/DC no fotovoltaico: inversores e conversão de energia.

Sistema de fixação

O sistema de fixação garante a ancoragem segura dos módulos na cobertura. Em telhados inclinados, utilizam‑se ganchos fixos à estrutura sob as telhas, sobre os quais se montam calhas para os módulos. Em coberturas planas, recorrem‑se a estruturas inclinadas com ângulos de 10 a 15 graus.

Bateria (opcional)

Um sistema de armazenamento em bateria aumenta a taxa de autoconsumo da energia solar. Sem bateria, o autoconsumo situa‑se tipicamente entre 25 e 35%; com bateria pode atingir 50 a 70%. Os sistemas atuais baseiam‑se quase exclusivamente em tecnologia lítio‑ferro‑fosfato (LFP) e oferecem capacidades de 5 a 15 kWh para moradias unifamiliares.

Mais informação em Baterias: energia para mais tarde.


Dimensionamento: escolher a potência certa

A dimensão ideal da instalação depende de vários fatores: consumo elétrico, área de cobertura disponível e orçamento. Uma instalação demasiado pequena desperdiça potencial; uma demasiado grande pode demorar mais tempo a amortizar.

Consumo elétrico como ponto de partida

O consumo anual de eletricidade é a base de planeamento mais importante. Um agregado de 4 pessoas em Portugal consome, em média, cerca de 3.500 a 4.500 kWh por ano, dependendo dos equipamentos e do uso de climatização. Casas com veículo elétrico ou bomba de calor apresentam consumos significativamente superiores.

Como referência, podem usar‑se os seguintes valores:

Dimensão do agregado Consumo elétrico Potência FV recomendada
1–2 pessoas 2.000–3.000 kWh/ano 4–6 kWp
3–4 pessoas 3.500–5.000 kWh/ano 6–10 kWp
5+ pessoas 5.000–7.000 kWh/ano 8–12 kWp
Com veículo elétrico +2.000–4.000 kWh/ano +2–4 kWp
Com bomba de calor +3.000–5.000 kWh/ano +3–5 kWp

Área de cobertura e orientação

Por cada kWp de potência instalada são necessários cerca de 5 a 6 m² de área útil de cobertura. Um telhado com 40 m² disponíveis permite, em regra, uma instalação de 7 a 8 kWp.

A orientação influencia de forma relevante a produção anual:

Orientação Inclinação Produção (relativa)
Sul 30–35° 100%
Sudeste/Sudoeste 30–35° 95%
Este/Oeste 30–35° 85%
Cobertura plana com estrutura 10–15° 90%

Orientações Este/Oeste não são necessariamente piores: produzem energia de forma mais distribuída ao longo do dia, o que pode aumentar o autoconsumo.

Regra prática para a potência

Uma regra prática fiável: 1 kWp por cada 1.000 kWh de consumo anual, dimensionando, sempre que possível, até ao limite da área de cobertura. Em Portugal, 1 kWp produz, em função da região e da orientação, cerca de 1.300 a 1.700 kWh por ano, valores superiores à média da Europa Central devido à maior radiação solar.


Custos e rentabilidade

Uma instalação fotovoltaica é um investimento que deve recuperar o capital ao longo da sua vida útil. A rentabilidade depende dos custos de investimento, da produção de energia e da evolução do preço da eletricidade.

Custos de investimento em 2026 (ordens de grandeza)

Os preços de instalações “chave na mão” têm vindo a descer. Em Portugal, para sistemas de autoconsumo em cobertura sem bateria, encontram‑se, em 2025/2026, intervalos típicos como:

Potência da instalação Custo (sem bateria) Custo por kWp
5 kWp 6.000–8.000 € 1.200–1.600 €/kWp
10 kWp 10.000–14.000 € 1.000–1.400 €/kWp
15 kWp 14.000–20.000 € 930–1.330 €/kWp

Sistemas de baterias acrescentam, em regra, 500 a 800 € por kWh de capacidade. Uma bateria de 10 kWh pode custar 5.000 a 8.000 €.

Custos de exploração

Os custos anuais de exploração de uma instalação fotovoltaica são reduzidos:

  • Manutenção: 100–200 €/ano (limpeza, inspeções visuais, eventuais verificações elétricas)
  • Seguro (opcional, multirriscos ou específico): 50–100 €/ano
  • Taxas de contagem / termo de potência adicional, se aplicável: 20–40 €/ano
  • Provisão para substituição de inversor: ~50 €/ano

No total, cerca de 200 a 400 € por ano; numa instalação de 10 kWp isto corresponde a 2 a 4 cêntimos por kWh produzido.

Autoconsumo e venda de excedentes

Em Portugal, a maioria das instalações residenciais é registada como UPAC – Unidade de Produção para Autoconsumo, ao abrigo do Decreto‑Lei n.º 15/2022. O modelo mais vantajoso é maximizar o autoconsumo: cada kWh produzido e consumido localmente evita a compra de eletricidade à tarifa de venda a retalho (por exemplo, 0,20–0,25 €/kWh em 2026, dependendo do comercializador).

Os excedentes podem ser injetados na rede e vendidos a um comercializador, normalmente a um preço de mercado grossista (tipicamente 0,05–0,10 €/kWh, com forte variação horária). Assim, cada kWh autoconsumido pode valer duas a três vezes mais do que um kWh vendido.

Exemplo de cálculo para uma instalação de 10 kWp com 15.000 kWh/ano de produção:

Cenário Autoconsumo Injeção na rede Poupança/Receita
Sem bateria (30%) 4.500 kWh 10.500 kWh 4.500 × 0,22 € + 10.500 × 0,07 € ≈ 990 € + 735 € = 1.725 €/ano
Com bateria (60%) 9.000 kWh 6.000 kWh 9.000 × 0,22 € + 6.000 × 0,07 € ≈ 1.980 € + 420 € = 2.400 €/ano

(Valores ilustrativos com preço de compra de 0,22 €/kWh e preço médio de venda de excedentes de 0,07 €/kWh.)

Tempo de retorno

O tempo de retorno simples indica quando a instalação recupera o investimento inicial.

Exemplo (10 kWp sem bateria):

  • Investimento: 12.000 €
  • Benefício anual: 1.725 €
  • Tempo de retorno: 12.000 € ÷ 1.725 €/ano ≈ 7 anos

Após este período, a instalação gera poupança líquida durante o restante tempo de vida útil (mais 15–20 anos).

Apoios e incentivos em Portugal

Em Portugal, os apoios diretos variam ao longo do tempo, mas existem vários mecanismos relevantes:

  • Programas de apoio a edifícios mais sustentáveis (por exemplo, “Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis” gerido pelo Fundo Ambiental, em diferentes fases – consulte https://www.fundoambiental.pt):

    • Apoios típicos para sistemas solares fotovoltaicos para autoconsumo em habitação própria permanente, com comparticipações que em edições recentes chegaram a cerca de 70% do investimento elegível, com tetos máximos por tipologia de medida.
    • Podem ser cumulados com apoios a isolamento térmico, janelas eficientes, bombas de calor, entre outros.
  • PRR – Plano de Recuperação e Resiliência:

    • Linhas específicas para eficiência energética e renováveis em edifícios residenciais e de serviços, geridas por entidades como o Fundo Ambiental e o IAPMEI, com candidaturas periódicas.
  • Benefícios fiscais pontuais:

    • Em alguns anos, parte do investimento em energias renováveis em habitação própria permanente pôde ser deduzido em sede de IRS como “despesas com habitação e energia” (verificar sempre o Orçamento do Estado em vigor e o Portal das Finanças).
    • Redução ou isenção de taxas municipais de licenciamento em alguns municípios para projetos de eficiência energética e renováveis (depende do regulamento municipal).
  • Regime de autoconsumo (UPAC):

    • Simplificação de licenciamento para instalações até 30 kW em baixa tensão, com registo eletrónico no portal da DGEG.
    • Possibilidade de venda de excedentes a um comercializador, sem necessidade de celebrar contrato de compra de energia em regime especial como no antigo sistema de tarifa feed‑in.

Nota: Ao contrário da Alemanha, em Portugal não existem entidades como a BAFA ou a KfW. Os apoios são geridos sobretudo pelo Fundo Ambiental, por programas do PRR e, em alguns casos, por municípios ou programas regionais. As condições, montantes e prazos de candidatura são atualizados com frequência; é essencial consultar as páginas oficiais antes de investir.


O par perfeito: fotovoltaico + bomba de calor

A combinação de fotovoltaico com bomba de calor é uma das formas mais eficazes de descarbonizar o aquecimento de edifícios. As duas tecnologias complementam‑se: a instalação solar fornece a eletricidade que a bomba de calor necessita para produzir calor.

Sinergias

Uma bomba de calor aumenta significativamente o autoconsumo da instalação fotovoltaica. Enquanto um agregado típico sem bomba de calor consome diretamente apenas 25–35% da energia solar produzida, com bomba de calor este valor pode subir para 40–50% ou mais. Com uma gestão inteligente (por exemplo, controlo por sinal horário ou integração em sistemas de domótica), é possível dar prioridade ao funcionamento da bomba de calor quando há produção solar.

Dimensionamento conjunto

Ao planear uma instalação fotovoltaica com bomba de calor, deve considerar‑se o consumo adicional de eletricidade da bomba:

Potência térmica da bomba de calor Consumo elétrico (COP sazonal ≈ 4) Potência FV adicional recomendada
6 kW ~2.500 kWh/ano +2,5 kWp
8 kW ~3.500 kWh/ano +3,5 kWp
10 kW ~4.500 kWh/ano +4,5 kWp

Uma análise detalhada dos tipos de bombas de calor e da sua combinação com fotovoltaico encontra‑se no Guia de bombas de calor.

Normas e regulamentação em Portugal:

  • O desempenho sazonal de bombas de calor é geralmente avaliado de acordo com a EN 14825 (a mesma base europeia usada na Alemanha).
  • Para o desempenho energético global dos edifícios, aplica‑se o SCE – Sistema de Certificação Energética (Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020), que define metodologias de cálculo e requisitos mínimos para sistemas técnicos, incluindo bombas de calor.
  • Para o dimensionamento térmico (cargas de aquecimento e arrefecimento), utilizam‑se metodologias alinhadas com as normas europeias (por exemplo, EN 12831 para cargas de aquecimento), integradas nas regras do SCE e em regulamentos técnicos nacionais.

Bombas de calor ar‑ar: o complemento rápido para o fotovoltaico

Para além das bombas de calor ar‑água tradicionais, as bombas de calor ar‑ar – mais conhecidas como sistemas split de climatização – ganham importância. São uma forma particularmente atrativa de apoiar sistemas de aquecimento existentes e aumentar o autoconsumo de energia solar.

O que distingue as bombas de calor ar‑ar?

As bombas de calor ar‑ar aquecem diretamente o ar interior, sem circuito de água. Isto torna‑as um sistema complementar ideal em habitações com aquecimento existente:

Aspeto Bomba de calor ar‑ar Bomba de calor ar‑água
Instalação 1–2 dias 3–5 dias
Investimento típico 2.500–5.000 € 12.000–20.000 €
Intervenção no sistema de aquecimento Nenhuma Substituição ou grande adaptação
Aquecimento e arrefecimento Sim Apenas com opção de reversibilidade
Produção de AQS Não Sim
Função ideal Sistema complementar Sistema principal

Cenários de aplicação

Edifício antigo com radiadores de alta temperatura: Em edifícios onde os radiadores exigem 60–70°C de temperatura de ida, uma bomba de calor ar‑água pode ter um desempenho pouco eficiente. Uma bomba de calor ar‑ar pode aliviar o sistema: assume parte da carga de aquecimento, enquanto a caldeira existente assegura a base e a água quente sanitária.

Sótão com sobreaquecimento: No verão, os pisos superiores podem atingir temperaturas desconfortáveis. Um sistema split resolve o problema de arrefecimento e, no inverno, aquece o mesmo espaço de forma eficiente. A energia solar produzida na cobertura alimenta a climatização praticamente sem custo adicional.

Escritório em casa e zonas de uso intermitente: Divisões utilizadas apenas algumas horas por dia podem ser aquecidas ou arrefecidas rapidamente com uma bomba de calor ar‑ar – muitas vezes mais depressa do que com um sistema de água.

Funcionamento bivalente: dois sistemas, um objetivo

No funcionamento bivalente, a bomba de calor ar‑ar e o sistema de aquecimento existente trabalham em conjunto. A repartição pode ser feita de várias formas:

Bivalente paralelo: Ambos os sistemas funcionam em simultâneo. A bomba de calor ar‑ar reduz continuamente a carga da caldeira, sobretudo em dias amenos, quando a sua eficiência é mais elevada.

Bivalente alternativo: Acima de uma determinada temperatura exterior (ponto bivalente, por exemplo 5°C), funciona apenas a bomba de calor ar‑ar; abaixo desse valor, entra em funcionamento o aquecimento convencional.

Comando solar: A bomba de calor ar‑ar funciona preferencialmente quando há produção fotovoltaica. À noite ou em dias muito nublados, o aquecimento convencional assume a carga.

Exemplo de rentabilidade

Situação de partida: Moradia unifamiliar, 120 m², aquecimento a gás com temperatura de ida de 65°C, consumo anual de 18.000 kWh de gás (2.160 €/ano a 0,12 €/kWh). O piso superior sobreaquece no verão.

Medida: Instalação de um sistema split de 3,5 kW de potência térmica na sala de estar/jantar e ampliação da instalação fotovoltaica em 3 kWp.

Resultados após um ano:

  • A bomba de calor ar‑ar cobre 30% da carga de aquecimento
  • Consumo de gás reduz‑se para 12.600 kWh/ano (−5.400 kWh)
  • Poupança em gás: 648 €/ano
  • Consumo elétrico da bomba de calor ar‑ar: 1.500 kWh (SCOP 3,5)
  • Energia fornecida pelo fotovoltaico: 900 kWh (sem custo marginal)
  • Energia comprada à rede: 600 kWh × 0,22 € ≈ 132 €/ano
  • Arrefecimento no verão: maioritariamente com excedentes fotovoltaicos
  • Poupança líquida anual: 648 € − 132 € ≈ 516 €
  • Ganho de conforto adicional: arrefecimento eficaz no verão

Com um investimento de cerca de 4.500 € para o sistema split e 3.500 € para a ampliação fotovoltaica, obtém‑se um tempo de retorno na ordem dos 15–18 anos. Se se considerar que equipamentos portáteis de ar condicionado consomem tipicamente três vezes mais energia para o mesmo efeito, a vantagem económica e de conforto é ainda maior.

Apoios em Portugal:
Bombas de calor ar‑ar e ar‑água, bem como sistemas fotovoltaicos, têm sido elegíveis em sucessivas fases do Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis e em linhas do PRR para eficiência energética. As comparticipações podem cobrir uma fração significativa do investimento, desde que o edifício cumpra os critérios do programa (por exemplo, habitação própria permanente, edifício existente, cumprimento de requisitos mínimos de desempenho energético). Consulte sempre o Fundo Ambiental para condições atualizadas.

Dimensionamento: potência FV para alimentar bombas de calor ar‑ar

Para o consumo adicional de uma bomba de calor ar‑ar, recomenda‑se a seguinte ampliação fotovoltaica:

Potência da bomba de calor ar‑ar Consumo elétrico (SCOP 3,5) Potência FV adicional
2,5 kW (single‑split) ~700 kWh/ano +1–2 kWp
3,5 kW (single‑split) ~1.000 kWh/ano +2–3 kWp
5,0 kW (multi‑split) ~1.500 kWh/ano +3–4 kWp

Se se prever uma utilização intensiva da função de arrefecimento no verão, é prudente dimensionar a ampliação fotovoltaica de forma mais generosa. A boa notícia: no verão, quando o arrefecimento é mais necessário, a produção solar atinge o seu máximo.


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Vantagens e limitações do fotovoltaico

O fotovoltaico oferece inúmeras vantagens, mas também tem limites. Uma avaliação realista ajuda na decisão.

As vantagens são claras: após a instalação, a energia solar é praticamente gratuita e reduz a dependência de aumentos no preço da eletricidade. A tecnologia é madura, requer pouca manutenção e tem uma vida útil de 25 a 30 anos. Em Portugal, o enquadramento do autoconsumo (UPAC), a possibilidade de vender excedentes e os programas de apoio públicos proporcionam segurança de planeamento. Além disso, uma instalação fotovoltaica melhora de forma significativa a pegada de carbono do agregado.

Entre as limitações contam‑se: a produção varia com a hora do dia e as condições meteorológicas. Sem bateria, a produção é reduzida precisamente quando o consumo é mais elevado à noite. Os custos de investimento são relevantes, embora se amortizem ao longo do tempo. Nem todas as coberturas são adequadas – sombreamento, orientação, estado estrutural e limitações arquitetónicas podem impor restrições.

Requisitos legais e certificação energética em Portugal:

  • O desempenho energético dos edifícios é regulado pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020, que estabelece o SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios.
  • A instalação de sistemas técnicos (como fotovoltaico e bombas de calor) pode melhorar a classe energética do edifício, refletida no Certificado Energético emitido por peritos qualificados da ADENE.
  • Para cálculo de coeficientes de transmissão térmica (valores U) e requisitos de isolamento, aplicam‑se metodologias alinhadas com a EN ISO 6946 e outras normas europeias, integradas nas regras nacionais do SCE.
  • Em edifícios novos e grandes reabilitações, existem requisitos mínimos de contribuição de energias renováveis para produção de AQS e, em muitos casos, para cobrir parte das necessidades de energia primária, o que torna o fotovoltaico e as bombas de calor particularmente relevantes em projetos em Portugal.

Perguntas frequentes

Vale a pena instalar fotovoltaico em 2026?

Sim. Os preços dos módulos estão em mínimos históricos, enquanto os preços de eletricidade para consumidores finais se mantêm relativamente elevados. Em Portugal, a elevada radiação solar aumenta ainda mais a produção anual por kWp. Com tempos de retorno típicos entre 6 e 12 anos e uma vida útil de 25 a 30 anos, o benefício económico é significativo, sobretudo quando se aproveitam programas de apoio nacionais.

Que dimensão deve ter a minha instalação fotovoltaica?

Como regra prática, pode considerar‑se 1 kWp por cada 1.000 kWh de consumo anual. Se a cobertura o permitir, é muitas vezes vantajoso instalar um pouco mais, pois o custo marginal por kWp adicional tende a ser inferior. Se estiver a planear adquirir uma bomba de calor ou um veículo elétrico, deve dimensionar a instalação desde o início a pensar nesse consumo futuro.

Preciso de uma bateria?

Uma bateria aumenta o autoconsumo de cerca de 30% para 50–70% e reduz a dependência da rede. Do ponto de vista estritamente económico, a bateria tem, em geral, um tempo de retorno mais longo do que a própria instalação fotovoltaica. Faz mais sentido quando o agregado consome muita energia à noite, quando há necessidade de garantir alimentação em falhas de rede (função de backup) ou quando os programas de apoio comparticipam de forma relevante o investimento em armazenamento.

Posso combinar fotovoltaico com o meu sistema de aquecimento antigo?

Sim. Uma instalação fotovoltaica pode ser combinada com qualquer sistema de aquecimento. Uma solução particularmente interessante é complementar o sistema existente com uma bomba de calor ar‑ar (sistema split). Esta utiliza a energia solar para aquecer e arrefecer, sem necessidade de substituir a caldeira ou intervir no circuito de água. No verão, os excedentes fotovoltaicos podem ser usados diretamente para arrefecimento.


Conclusão

Ideia principal: O fotovoltaico tornou‑se uma das formas mais competitivas de produção de eletricidade para particulares em Portugal. Com custos de 1.000 a 1.600 euros por kWp e preços de eletricidade em subida, uma instalação pode amortizar‑se em 6 a 12 anos. A combinação com bombas de calor aumenta o autoconsumo e melhora a rentabilidade. As bombas de calor ar‑ar são especialmente interessantes como complemento rápido e económico a sistemas de aquecimento existentes – utilizam energia solar para aquecer no inverno e arrefecer no verão, melhorando simultaneamente o conforto e a classe energética do edifício.

A decisão de investir numa instalação fotovoltaica deve ser bem preparada. Um projeto profissional considera as características da cobertura, o perfil de consumo, o enquadramento regulamentar (UPAC, SCE) e desenvolvimentos futuros como mobilidade elétrica ou integração de bombas de calor. Com os componentes adequados e um dimensionamento correto, o fotovoltaico torna‑se a base de um sistema energético doméstico sustentável e economicamente sólido.


Série de artigos sobre fotovoltaico

  1. Fotovoltaico: o guia completo – está aqui
  2. Do fotão ao Volt: como funciona uma célula solar? – compreender os fundamentos
  3. Constituição de uma instalação fotovoltaica – do módulo ao sistema
  4. AC/DC no fotovoltaico: inversores e conversão de energia – de corrente contínua a alternada
  5. Eletrónica de potência: inversores e conversores DC‑DC – detalhes técnicos
  6. O tudo‑em‑um: inversor híbrido – FV, bateria e rede
  7. AC ou DC? Topologias de sistema para instalações solares – arquiteturas de sistema

Para saber mais

Bombas de calor: Bomba de calor: o guia completo · Tipos de bombas de calor e fotovoltaico · Indicadores: COP, JAZ, SCOP

Baterias: Fundamentos da tecnologia de baterias · Lítio vs. chumbo · Análise de mercado de baterias

Sistemas plug‑in (balkonkraftwerke): Sistemas solares de varanda: introdução · Montagem e instalação


Fontes


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