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Bomba de calor: O guia completo

As bombas de calor tornaram‑se a tecnologia de aquecimento dominante em muitos mercados europeus e estão a ganhar rapidamente peso em Portugal, sobretudo em edifícios novos e em reabilitações de maior qualidade energética. A nível mundial, o mercado atingiu em 2024 um volume de cerca de 70 mil milhões de dólares norte‑americanos.

Esta evolução tem várias causas: subida dos preços dos combustíveis fósseis, maior consciência ambiental, metas europeias de descarbonização e programas de apoio públicos. Soma‑se a isto o progresso técnico, que tornou as bombas de calor mais eficientes e silenciosas.

Este guia para 2026 explica o princípio de funcionamento, compara os diferentes tipos de bombas de calor, analisa custos e apoios disponíveis em Portugal e dá indicações para um dimensionamento correto. Encontra ainda referências para os nossos artigos técnicos de aprofundamento sobre temas específicos.


O que é uma bomba de calor?

Uma bomba de calor é um equipamento que transporta calor de um nível de temperatura mais baixo para um nível mais alto. O princípio é idêntico ao de um frigorífico – apenas com o objetivo invertido: enquanto o frigorífico retira calor do interior e o liberta para o ambiente, a bomba de calor retira calor do ambiente (ar, solo ou água) e entrega‑o ao sistema de aquecimento.

O ciclo em quatro fases

O ciclo termodinâmico da bomba de calor divide‑se em quatro fases sucessivas:

Fase Componente Processo Estado físico
1 Evaporador Absorção de calor do ambiente Líquido → Gasoso
2 Compressor Aumento de pressão e de temperatura Gasoso (quente)
3 Condensador Cedência de calor ao aquecimento Gasoso → Líquido
4 Válvula de expansão Redução de pressão e arrefecimento Líquido (frio)

O fluido frigorigéneo percorre este ciclo continuamente. Absorve calor a baixa temperatura e liberta‑o a uma temperatura mais elevada. O compressor é o único componente que consome energia elétrica de forma significativa.

Fundamento físico: A bomba de calor não contraria a termodinâmica. A energia elétrica fornecida ao compressor permite transportar calor contra o gradiente natural de temperatura.

Uma explicação detalhada dos fundamentos físicos encontra‑se no artigo O anti‑frigorífico: como funciona uma bomba de calor?.


Componentes principais

Todas as bombas de calor integram os mesmos componentes básicos, que trabalham em circuito fechado:

Componente Função Características
Evaporador Capta calor do ambiente Permutador de calor, grande área de troca
Compressor Comprime o fluido frigorigéneo Acionado eletricamente, principal consumidor de energia
Condensador Entrega calor ao sistema de aquecimento Permutador de calor, compacto
Válvula de expansão Reduz pressão e temperatura Órgão de estrangulamento, praticamente sem manutenção
Fluido frigorigéneo Transporta o calor Evapora a baixa temperatura

Evolução dos fluidos frigorigéneos

Fluidos tradicionais como o R410A têm um elevado potencial de aquecimento global (GWP). As bombas de calor modernas utilizam cada vez mais R290 (propano), com um GWP de apenas 3 (face a 2088 no R410A). O R290 é inflamável, pelo que as cargas de fluido são limitadas e é necessário respeitar distâncias de segurança e regras específicas de instalação.

Mais detalhes sobre cada componente são explicados no artigo Os componentes: permutadores, compressor e válvula de expansão.


Tipos de bombas de calor em comparação

As bombas de calor classificam‑se pela fonte de calor e pelo fluido que alimenta o sistema de aquecimento. Os três tipos mais comuns em edifícios residenciais são:

Bomba de calor ar‑água

A bomba de calor ar‑água retira calor ao ar exterior e transfere‑o para a água de aquecimento. É o tipo mais utilizado em habitação na Europa e também o mais comum em novas moradias em Portugal.

Vantagens:

  • Custos de instalação relativamente baixos
  • Normalmente sem necessidade de licenciamento específico
  • Instalação flexível (unidade exterior e/ou interior)
  • Montagem rápida

Desvantagens:

  • A eficiência diminui com temperaturas exteriores muito baixas
  • Ruído da unidade exterior
  • Custos de exploração superiores aos de sistemas solo‑água

Bomba de calor solo‑água (geotérmica)

A bomba de calor solo‑água utiliza a temperatura praticamente constante do solo. O calor é captado através de coletores horizontais ou de sondagens verticais.

Vantagens:

  • Maior eficiência (temperatura da fonte quase constante)
  • Muito silenciosa (sem unidade exterior com ventilador)
  • Pode proporcionar arrefecimento passivo no verão
  • Custos de exploração mais baixos

Desvantagens:

  • Investimento inicial elevado (escavações/sondagens)
  • Necessidade de licenciamento para captação geotérmica em muitos casos
  • Requer terreno disponível para coletores ou acesso para sondagens
  • Maior tempo de estudo e obra

Em Portugal, a utilização de sondagens geotérmicas deve respeitar o Regime Jurídico da Pesquisa e Exploração de Recursos Geológicos e, em muitos casos, carece de autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e/ou da autoridade de recursos hídricos competente.

Bomba de calor ar‑ar

A bomba de calor ar‑ar aquece diretamente o ar interior, sem circuito de água. Corresponde, na prática, a sistemas tipo “ar condicionado” reversíveis.

Vantagens:

  • Pode aquecer e arrefecer
  • Investimento inicial reduzido
  • Resposta rápida às variações de temperatura

Desvantagens:

  • Não produz água quente sanitária
  • Exige rede de condutas de ar ou várias unidades interiores
  • Menos eficiente, em geral, do que sistemas com água

Tabela comparativa dos tipos de bombas de calor

Critério Ar‑água Solo‑água Ar‑ar
Investimento 10.000–20.000 € 18.000–35.000 € 8.000–15.000 €
JAZ (SPF) 3,0–4,0 4,0–5,0 2,5–3,5
Necessidade de espaço Reduzida Elevada (movimento de terras/sondagens) Reduzida
Licenciamento Raramente Frequentemente necessário Normalmente não
Água quente sanitária Sim Sim Não
Arrefecimento Opcional Possível (passivo/ativo) Sim
Ruído Unidade exterior audível Muito silenciosa Unidades interiores audíveis
Ideal para Moradias novas e reabilitadas Moradias com terreno disponível Aquecimento complementar e climatização

Mais informação sobre os diferentes tipos e a combinação com sistemas solares encontra‑se no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.


Indicadores de desempenho: COP, JAZ, SCOP

A eficiência de uma bomba de calor é expressa através de vários indicadores. Compreender estes valores é essencial para comparar equipamentos.

COP – Coefficient of Performance

O COP é um valor instantâneo medido em condições laboratoriais normalizadas (por exemplo, A2/W35 = 2°C de ar exterior, 35°C de temperatura de ida).

Cálculo:

COP = Potência térmica (kW) ÷ Potência elétrica (kW)

Um COP de 4 significa: a partir de 1 kW de eletricidade produzem‑se 4 kW de calor.

SCOP – Coeficiente de desempenho sazonal

O SCOP considera vários pontos de funcionamento ao longo de uma época de aquecimento e é mais representativo do que o COP. É determinado segundo a EN 14825 e indicado na etiqueta energética da UE.

JAZ – Fator de desempenho sazonal (SPF)

A JAZ (Jahresarbeitszahl), frequentemente designada por SPF (Seasonal Performance Factor), é a eficiência real de uma bomba de calor instalada ao longo de um ano. Considera todas as condições de funcionamento, carga parcial e consumos auxiliares.

Cálculo:

JAZ = Calor útil produzido (kWh/ano) ÷ Energia elétrica consumida (kWh/ano)

Avaliação da JAZ

JAZ Avaliação Aplicação típica
< 3,0 Insuficiente Instalações antigas, condições desfavoráveis
3,0–3,5 Aceitável Edifício existente com temperaturas de ida elevadas
3,5–4,0 Bom Edifício novo padrão
> 4,0 Muito bom Edifício novo com piso radiante, geotermia

Nota sobre apoios em Portugal: Muitos programas de incentivo, como o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental), exigem que a bomba de calor cumpra classes de eficiência mínimas (por exemplo, classe A+ ou superior segundo a etiqueta energética da UE) e seja instalada por profissionais qualificados. A JAZ real deve ser considerada no estudo económico, embora não exista, atualmente, um valor mínimo único definido em regulamento nacional.

Explicações detalhadas sobre estes indicadores e a sua utilização no dimensionamento encontram‑se no artigo Indicadores e dimensionamento de bombas de calor.


Escolher a potência correta

O dimensionamento adequado de uma bomba de calor é decisivo para a eficiência e o conforto. Uma bomba de calor sobredimensionada liga e desliga frequentemente (ciclagem), o que aumenta o desgaste e reduz a eficiência.

Carga térmica como base

A carga térmica de aquecimento indica a potência necessária na condição de temperatura exterior de projeto. Em Portugal, o cálculo deve seguir as normas europeias aplicáveis, nomeadamente a EN 12831 (cálculo das cargas térmicas de aquecimento), transposta e referida no âmbito do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), gerido pela ADENE.

Valores de referência para carga térmica específica:

Tipo de edifício Carga térmica específica
Edifício tipo “passivhaus” 10–20 W/m²
Edifício muito eficiente (≈ classe A/A+) 25–35 W/m²
Edifício novo conforme REH atual 40–50 W/m²
Edifício pós‑1995 com alguma melhoria 60–80 W/m²
Edifício anterior a 1980 100–150 W/m²
Edifício antigo sem reabilitação 120–180 W/m²

Regra prática para a carga térmica

Carga térmica (kW) = Área útil aquecida (m²) × Valor específico (W/m²) ÷ 1000

Exemplo: Um edifício novo com 150 m² e 45 W/m² necessita de: 150 × 45 ÷ 1000 = 6,75 kW de carga térmica

Acréscimo para água quente sanitária

Para a produção de água quente sanitária (AQS) adiciona‑se um acréscimo:

  • Agregado familiar típico: +0,25 kW por pessoa
  • Em caso de bomba de calor dedicada apenas a AQS: considera‑se em separado

Exemplo completo:

  • 150 m² em edifício novo: 6,75 kW
  • Agregado de 4 pessoas: +1,0 kW
  • Total: 7,75 kW → selecionar bomba de calor de cerca de 8 kW

Evitar sobredimensionamento: Uma bomba de calor 20% sobredimensionada pode reduzir a eficiência sazonal em 10–15%. É preferível dimensionar de forma ajustada e, em situações extremas, recorrer a resistência elétrica de apoio.

Para um cálculo rigoroso, deve ser efetuado um estudo térmico conforme a EN 12831 e o REH, normalmente no âmbito do projeto de especialidades e do Certificado Energético.


Modos de funcionamento

Consoante o edifício e as necessidades, podem ser adotados diferentes modos de funcionamento.

Funcionamento monovalente

A bomba de calor cobre sozinha todas as necessidades de aquecimento. É, em regra, o modo mais eficiente.

Condições:

  • Edifício bem isolado (novo ou reabilitado)
  • Sistema de aquecimento de baixa temperatura (idealmente ≤ 55°C de ida)
  • Bomba de calor dimensionada para a carga térmica de projeto

Funcionamento bivalente

A bomba de calor funciona em conjunto com um segundo gerador de calor. Abaixo de uma determinada temperatura exterior (ponto de bivalência) entra em funcionamento o sistema de apoio.

Variantes:

Variante Descrição
Bivalente‑paralelo Bomba de calor e apoio funcionam em simultâneo
Bivalente‑alternativo Abaixo do ponto de bivalência funciona apenas o apoio
Bivalente parcial Combinação das duas estratégias

Sistema híbrido

Um sistema híbrido combina bomba de calor e caldeira a gás/gasóleo de condensação num único conjunto ou numa solução integrada. A regulação seleciona automaticamente o modo mais económico, tendo em conta preços de energia e condições de funcionamento.

Ajuda à decisão:

Situação Modo recomendado
Edifício novo com piso radiante Monovalente
Edifício reabilitado com baixas temperaturas de ida Monovalente
Edifício existente com radiadores a 60°C Bivalente ou híbrido
Edifício antigo sem reabilitação prevista Híbrido

Mais detalhes sobre estes modos de funcionamento encontram‑se no artigo Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido.


Custos e viabilidade económica

Os custos de uma bomba de calor dividem‑se em investimento (equipamento e instalação) e custos de exploração.

Custos de investimento (incluindo instalação)

Tipo de bomba de calor Custos Observações
Ar‑água 10.000–20.000 € Dependente da potência e marca
Solo‑água (coletor) 15.000–25.000 € Inclui coletor enterrado
Solo‑água (sonda) 18.000–35.000 € Inclui sondagens (≈80–120 €/m)
Água‑água 15.000–30.000 € Inclui captação e poço de rejeição

Valores indicativos para moradias unifamiliares; em Portugal, custos de mão de obra e licenciamento podem variar por região.

Cálculo dos custos de exploração

Os custos anuais de eletricidade podem ser estimados por:

Custo elétrico anual = Necessidades de calor (kWh/ano) ÷ JAZ × Preço da eletricidade (€/kWh)

Exemplo:

  • Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano
  • JAZ: 4,0
  • Preço da eletricidade: 0,30 €/kWh

Custo = 15.000 ÷ 4,0 × 0,30 = 1.125 €/ano

Comparação com outros sistemas de aquecimento

Indicador Bomba de calor Caldeira a gás condensação Caldeira a gasóleo condensação
Preço da energia 0,30 €/kWh (eletricidade) 0,12 €/kWh 0,10 €/kWh
JAZ / Rendimento 4,0 0,95 0,90
Custo efetivo 0,075 €/kWh 0,126 €/kWh 0,111 €/kWh
Para 15.000 kWh/ano 1.125 €/ano 1.890 €/ano 1.665 €/ano

Com uma JAZ de 4,0, a bomba de calor apresenta os custos de exploração mais baixos, apesar do preço unitário da eletricidade ser superior ao do gás ou gasóleo.

Apoios e incentivos em Portugal

Em Portugal, não existem organismos equivalentes ao BAFA ou KfW alemães. Os apoios são geridos sobretudo pelo Fundo Ambiental, por programas financiados pelo PRR e por instrumentos fiscais.

Programas relevantes (situação 2025/2026, podendo sofrer alterações):

Programa / Instrumento Tipo de apoio Principais condições (resumo)
Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental) Subsídio a fundo perdido para substituição de sistemas de climatização por bombas de calor de alta eficiência e para isolamento térmico Edifícios de habitação existentes; montantes típicos por equipamento entre ~1.000–2.500 €; cumprimento de requisitos mínimos de eficiência (classe A ou superior na etiqueta energética), instalação por empresa habilitada; candidatura online antes ou logo após a intervenção, conforme aviso
Vale Eficiência (Fundo Ambiental / PRR) “Vouchers” para famílias em situação de vulnerabilidade energética, para medidas como bombas de calor, janelas eficientes e isolamento Destinado a beneficiários de tarifa social de energia ou critérios sociais definidos; valor do vale por fase ~1.300 €; intervenção realizada por empresas aderentes
Incentivos fiscais (IRS/IRC) Dedução de parte das despesas com reabilitação energética e equipamentos de energias renováveis em sede de IRS; amortizações e benefícios em sede de IRC para empresas Aplicável a contribuintes que realizem obras de melhoria energética; regras e limites definidos anualmente no Orçamento do Estado
Programas municipais / regionais Apoios complementares em alguns municípios (por exemplo, redução de taxas urbanísticas ou pequenos subsídios) Verificar regulamentos municipais e programas locais de eficiência energética

Sugestão: Antes de adjudicar a instalação, consulte o Fundo Ambiental (www.fundoambiental.pt), a ADENE (www.adene.pt) e o seu município para conhecer os avisos de concurso em vigor, montantes máximos e requisitos técnicos atualizados.


Bomba de calor em edifícios existentes

A instalação de uma bomba de calor em edifícios antigos é possível, mas exige um estudo cuidado.

Principais desafios

  • Temperaturas de ida elevadas: Radiadores antigos podem exigir 60–70°C
  • Fraca qualidade da envolvente: Elevadas perdas térmicas implicam bombas de calor de grande potência
  • Limitações de espaço: A implantação da unidade exterior pode ser difícil em centros urbanos densos

Estratégias de solução

Medida Efeito
Isolamento de fachada e cobertura Reduz a carga térmica em 30–50%
Substituição de janelas Diminui as perdas por transmissão e infiltração
Radiadores de baixa temperatura Permitem temperaturas de ida de 45–50°C
Piso radiante (total ou parcial) Reduz significativamente a temperatura de ida
Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) Garante conforto em picos de frio com menor investimento inicial

JAZ expectável em edifícios existentes

Estado do edifício Temperatura de ida JAZ expectável
Sem reabilitação, radiadores antigos 60–70°C 2,5–3,0
Parcialmente reabilitado 50–55°C 3,0–3,5
Reabilitado, radiadores dimensionados para baixa T 45–50°C 3,5–4,0
Reabilitado, piso radiante 35–40°C 4,0–4,5

Regra prática: Cada redução de 5°C na temperatura de ida melhora a JAZ em cerca de 0,3–0,5 pontos.


A combinação ideal: bomba de calor + fotovoltaico

A combinação de bomba de calor com um sistema fotovoltaico (PV) traz vantagens significativas: a eletricidade solar autoconsumida alimenta a bomba de calor, reduzindo os custos de exploração e a pegada de carbono.

Sinergias da combinação

  • Aumento do autoconsumo: O excedente fotovoltaico é utilizado pela bomba de calor
  • Redução da fatura elétrica: Menor energia comprada à rede
  • Aquecimento com baixas emissões: Energia renovável para aquecimento
  • Maior independência: Menor exposição a variações de preços da eletricidade

Recomendações de dimensionamento

Componente Dimensionamento típico Exemplo (150 m²)
Bomba de calor Em função da carga térmica 8 kW
Sistema PV Potência “normal” + 2–3 kWp 10 kWp
Bateria Opcional, 8–12 kWh 10 kWh

Exemplo de cálculo

Situação de base:

  • Moradia de 150 m², 4 pessoas
  • Bomba de calor de 8 kW, JAZ 4,0
  • Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano → consumo elétrico da bomba: 3.750 kWh/ano
  • Consumo elétrico doméstico: 4.000 kWh/ano
  • Total: 7.750 kWh/ano

Com 10 kWp PV e bateria de 10 kWh:

  • Produção PV: ~10.000 kWh/ano (valor típico em Portugal continental)
  • Autoconsumo: ~5.000 kWh/ano (50%)
  • Grau de autonomia: ~65%
  • Energia comprada à rede: apenas 2.750 kWh/ano
  • Poupança: ~1.500 €/ano (dependendo das tarifas e remuneração do excedente)

Mais informação sobre esta combinação encontra‑se no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.


Vantagens e desvantagens em resumo

Vantagens

Vantagem Explicação
Elevada eficiência JAZ 3–5: de 1 kWh elétrico obtêm‑se 3–5 kWh térmicos
Menores emissões Sem emissões diretas de CO₂; com eletricidade renovável, emissões muito reduzidas
Custos de exploração baixos Com boa JAZ, mais barato do que gás ou gasóleo
Vida útil longa 15–25 anos, com baixa necessidade de manutenção
Sem armazenamento de combustível Dispensa depósito de gasóleo ou ligação a gás
Possibilidade de arrefecimento Muitos modelos permitem arrefecimento no verão
Acesso a apoios Programas nacionais e municipais de incentivo à eficiência energética

Desvantagens

Desvantagem Explicação
Investimento inicial elevado 10.000–35.000 € consoante o tipo
Dependência da eletricidade Em falha de energia, não há aquecimento
Queda de eficiência com frio intenso Bombas ar‑água perdem desempenho com temperaturas muito baixas
Ruído Unidade exterior ou interior pode ser audível (≈35–50 dB)
Necessidade de baixas temperaturas de ida Nem todos os sistemas de radiadores existentes são adequados
Exigência de bom projeto Dimensionamento e integração hidráulica têm de ser bem estudados

Perguntas frequentes (FAQ)

Compensa instalar uma bomba de calor num edifício antigo?

Sim, em muitas situações. O fator decisivo é a temperatura de ida necessária e a carga térmica após eventuais melhorias na envolvente. Com temperaturas de ida inferiores a 55°C e uma JAZ de, pelo menos, 3,0, a bomba de calor tende a ser economicamente interessante. Quando se mantêm temperaturas muito elevadas, um sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) pode ser a solução mais equilibrada.

Quão ruidosa é uma bomba de calor?

Bombas de calor ar‑água modernas apresentam níveis de potência sonora típicos entre 35 e 55 dB(A). Para referência: um frigorífico ronda os 40 dB(A) e uma conversa normal cerca de 60 dB(A). A localização da unidade exterior deve respeitar distâncias mínimas a vizinhos e quartos, bem como os limites de ruído definidos nos regulamentos municipais.

Qual é a vida útil de uma bomba de calor?

Com manutenção regular, a vida útil situa‑se entre 15 e 25 anos. O compressor é o componente mais sensível ao desgaste. Ciclagem frequente (liga/desliga) reduz a durabilidade, pelo que um dimensionamento adequado e uma boa regulação são essenciais.

Qual é a temperatura de ida ideal?

Quanto mais baixa, melhor a eficiência. Valores de referência:

  • Piso radiante: 30–35°C
  • Radiadores de baixa temperatura: 45–50°C
  • Radiadores convencionais: 55–60°C

Por cada redução de 5°C na temperatura de ida, a JAZ aumenta tipicamente 0,3–0,5 pontos.

Uma bomba de calor também pode arrefecer?

Sim. Muitas bombas de calor são reversíveis e podem funcionar em modo de arrefecimento no verão. Bombas ar‑água permitem arrefecimento ativo; sistemas solo‑água podem oferecer arrefecimento passivo através do solo. A potência de arrefecimento é limitada e não substitui, em todos os casos, um sistema de climatização dedicado, mas pode melhorar significativamente o conforto.


Regulamentos, normas e certificação energética em Portugal

Em Portugal, o desempenho energético dos edifícios e dos sistemas técnicos, incluindo bombas de calor, é regulado por um conjunto de diplomas e normas técnicas.

  • Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços (RECS), aprovados pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e legislação complementar, definem requisitos mínimos de desempenho térmico da envolvente (valores limite de coeficientes de transmissão térmica U para paredes, coberturas, pavimentos e vãos envidraçados) e de eficiência dos sistemas técnicos.
  • O cálculo dos coeficientes U segue a EN ISO 6946 (elementos opacos) e normas associadas para envidraçados, incorporadas nos métodos do SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, gerido pela ADENE.
  • O dimensionamento de cargas térmicas de aquecimento deve respeitar a EN 12831, referida nos métodos nacionais de cálculo.
  • Para bombas de calor, aplicam‑se as normas europeias de produto, como a EN 14511 (ensaios e avaliação de desempenho) e a EN 14825 (SCOP/SEER), que estão na base da etiqueta energética da UE.

Certificado energético e etiquetagem

  • Todos os edifícios novos e a maioria das transações (venda/arrendamento) exigem Certificado Energético, emitido por peritos qualificados no âmbito do SCE.
  • As bombas de calor comercializadas na UE têm de apresentar etiqueta energética segundo os regulamentos europeus de conceção ecológica (Ecodesign) e etiquetagem, com classes de A+++ a G.
  • Em Portugal, muitos programas de apoio exigem que o equipamento atinja uma classe mínima (por exemplo, A+ ou A++) e que o edifício atinja ou melhore uma determinada classe no Certificado Energético.

Conclusão

Ideia principal: As bombas de calor utilizam calor do ambiente e, com JAZ entre 3 e 5, são significativamente mais eficientes do que os sistemas fósseis. São particularmente adequadas para edifícios novos e funcionam também em edifícios existentes, desde que a temperatura de ida possa ser limitada a cerca de 55°C ou menos. Em combinação com um sistema fotovoltaico, permitem um aquecimento com emissões muito reduzidas de CO₂.

A escolha do tipo de bomba de calor depende do edifício, do terreno disponível e do orçamento. As bombas de calor ar‑água oferecem, em geral, o melhor compromisso entre custo e eficiência, enquanto os sistemas solo‑água atingem as eficiências mais elevadas quando existe espaço e condições para a sua instalação.


Série completa de artigos sobre bombas de calor

  1. Bomba de calor: O guia completo – está aqui
  2. O anti‑frigorífico: como funciona uma bomba de calor? – Fundamentos físicos
  3. Os componentes: permutadores, compressor e válvula de expansão – Componentes em detalhe
  4. Indicadores e dimensionamento de bombas de calor – COP, JAZ, SCOP
  5. Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido – Modos de operação explicados
  6. Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares – Tipos & combinação com PV

Fontes


Calcular a JAZ da sua bomba de calor

Com o nosso simulador de bombas de calor pode estimar a JAZ da sua instalação, bem como os custos de exploração e a poupança de CO₂, com base em pressupostos alinhados com a EN 14825.

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