Bomba de calor: O guia completo
As bombas de calor tornaram‑se a tecnologia de aquecimento dominante em muitos mercados europeus e estão a ganhar rapidamente peso em Portugal, sobretudo em edifícios novos e em reabilitações de maior qualidade energética. A nível mundial, o mercado atingiu em 2024 um volume de cerca de 70 mil milhões de dólares norte‑americanos.
Esta evolução tem várias causas: subida dos preços dos combustíveis fósseis, maior consciência ambiental, metas europeias de descarbonização e programas de apoio públicos. Soma‑se a isto o progresso técnico, que tornou as bombas de calor mais eficientes e silenciosas.
Este guia para 2026 explica o princípio de funcionamento, compara os diferentes tipos de bombas de calor, analisa custos e apoios disponíveis em Portugal e dá indicações para um dimensionamento correto. Encontra ainda referências para os nossos artigos técnicos de aprofundamento sobre temas específicos.
O que é uma bomba de calor?
Uma bomba de calor é um equipamento que transporta calor de um nível de temperatura mais baixo para um nível mais alto. O princípio é idêntico ao de um frigorífico – apenas com o objetivo invertido: enquanto o frigorífico retira calor do interior e o liberta para o ambiente, a bomba de calor retira calor do ambiente (ar, solo ou água) e entrega‑o ao sistema de aquecimento.
O ciclo em quatro fases
O ciclo termodinâmico da bomba de calor divide‑se em quatro fases sucessivas:
| Fase | Componente | Processo | Estado físico |
|---|---|---|---|
| 1 | Evaporador | Absorção de calor do ambiente | Líquido → Gasoso |
| 2 | Compressor | Aumento de pressão e de temperatura | Gasoso (quente) |
| 3 | Condensador | Cedência de calor ao aquecimento | Gasoso → Líquido |
| 4 | Válvula de expansão | Redução de pressão e arrefecimento | Líquido (frio) |
O fluido frigorigéneo percorre este ciclo continuamente. Absorve calor a baixa temperatura e liberta‑o a uma temperatura mais elevada. O compressor é o único componente que consome energia elétrica de forma significativa.
Fundamento físico: A bomba de calor não contraria a termodinâmica. A energia elétrica fornecida ao compressor permite transportar calor contra o gradiente natural de temperatura.
Uma explicação detalhada dos fundamentos físicos encontra‑se no artigo O anti‑frigorífico: como funciona uma bomba de calor?.
Componentes principais
Todas as bombas de calor integram os mesmos componentes básicos, que trabalham em circuito fechado:
| Componente | Função | Características |
|---|---|---|
| Evaporador | Capta calor do ambiente | Permutador de calor, grande área de troca |
| Compressor | Comprime o fluido frigorigéneo | Acionado eletricamente, principal consumidor de energia |
| Condensador | Entrega calor ao sistema de aquecimento | Permutador de calor, compacto |
| Válvula de expansão | Reduz pressão e temperatura | Órgão de estrangulamento, praticamente sem manutenção |
| Fluido frigorigéneo | Transporta o calor | Evapora a baixa temperatura |
Evolução dos fluidos frigorigéneos
Fluidos tradicionais como o R410A têm um elevado potencial de aquecimento global (GWP). As bombas de calor modernas utilizam cada vez mais R290 (propano), com um GWP de apenas 3 (face a 2088 no R410A). O R290 é inflamável, pelo que as cargas de fluido são limitadas e é necessário respeitar distâncias de segurança e regras específicas de instalação.
Mais detalhes sobre cada componente são explicados no artigo Os componentes: permutadores, compressor e válvula de expansão.
Tipos de bombas de calor em comparação
As bombas de calor classificam‑se pela fonte de calor e pelo fluido que alimenta o sistema de aquecimento. Os três tipos mais comuns em edifícios residenciais são:
Bomba de calor ar‑água
A bomba de calor ar‑água retira calor ao ar exterior e transfere‑o para a água de aquecimento. É o tipo mais utilizado em habitação na Europa e também o mais comum em novas moradias em Portugal.
Vantagens:
- Custos de instalação relativamente baixos
- Normalmente sem necessidade de licenciamento específico
- Instalação flexível (unidade exterior e/ou interior)
- Montagem rápida
Desvantagens:
- A eficiência diminui com temperaturas exteriores muito baixas
- Ruído da unidade exterior
- Custos de exploração superiores aos de sistemas solo‑água
Bomba de calor solo‑água (geotérmica)
A bomba de calor solo‑água utiliza a temperatura praticamente constante do solo. O calor é captado através de coletores horizontais ou de sondagens verticais.
Vantagens:
- Maior eficiência (temperatura da fonte quase constante)
- Muito silenciosa (sem unidade exterior com ventilador)
- Pode proporcionar arrefecimento passivo no verão
- Custos de exploração mais baixos
Desvantagens:
- Investimento inicial elevado (escavações/sondagens)
- Necessidade de licenciamento para captação geotérmica em muitos casos
- Requer terreno disponível para coletores ou acesso para sondagens
- Maior tempo de estudo e obra
Em Portugal, a utilização de sondagens geotérmicas deve respeitar o Regime Jurídico da Pesquisa e Exploração de Recursos Geológicos e, em muitos casos, carece de autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e/ou da autoridade de recursos hídricos competente.
Bomba de calor ar‑ar
A bomba de calor ar‑ar aquece diretamente o ar interior, sem circuito de água. Corresponde, na prática, a sistemas tipo “ar condicionado” reversíveis.
Vantagens:
- Pode aquecer e arrefecer
- Investimento inicial reduzido
- Resposta rápida às variações de temperatura
Desvantagens:
- Não produz água quente sanitária
- Exige rede de condutas de ar ou várias unidades interiores
- Menos eficiente, em geral, do que sistemas com água
Tabela comparativa dos tipos de bombas de calor
| Critério | Ar‑água | Solo‑água | Ar‑ar |
|---|---|---|---|
| Investimento | 10.000–20.000 € | 18.000–35.000 € | 8.000–15.000 € |
| JAZ (SPF) | 3,0–4,0 | 4,0–5,0 | 2,5–3,5 |
| Necessidade de espaço | Reduzida | Elevada (movimento de terras/sondagens) | Reduzida |
| Licenciamento | Raramente | Frequentemente necessário | Normalmente não |
| Água quente sanitária | Sim | Sim | Não |
| Arrefecimento | Opcional | Possível (passivo/ativo) | Sim |
| Ruído | Unidade exterior audível | Muito silenciosa | Unidades interiores audíveis |
| Ideal para | Moradias novas e reabilitadas | Moradias com terreno disponível | Aquecimento complementar e climatização |
Mais informação sobre os diferentes tipos e a combinação com sistemas solares encontra‑se no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.
Indicadores de desempenho: COP, JAZ, SCOP
A eficiência de uma bomba de calor é expressa através de vários indicadores. Compreender estes valores é essencial para comparar equipamentos.
COP – Coefficient of Performance
O COP é um valor instantâneo medido em condições laboratoriais normalizadas (por exemplo, A2/W35 = 2°C de ar exterior, 35°C de temperatura de ida).
Cálculo:
COP = Potência térmica (kW) ÷ Potência elétrica (kW)
Um COP de 4 significa: a partir de 1 kW de eletricidade produzem‑se 4 kW de calor.
SCOP – Coeficiente de desempenho sazonal
O SCOP considera vários pontos de funcionamento ao longo de uma época de aquecimento e é mais representativo do que o COP. É determinado segundo a EN 14825 e indicado na etiqueta energética da UE.
JAZ – Fator de desempenho sazonal (SPF)
A JAZ (Jahresarbeitszahl), frequentemente designada por SPF (Seasonal Performance Factor), é a eficiência real de uma bomba de calor instalada ao longo de um ano. Considera todas as condições de funcionamento, carga parcial e consumos auxiliares.
Cálculo:
JAZ = Calor útil produzido (kWh/ano) ÷ Energia elétrica consumida (kWh/ano)
Avaliação da JAZ
| JAZ | Avaliação | Aplicação típica |
|---|---|---|
| < 3,0 | Insuficiente | Instalações antigas, condições desfavoráveis |
| 3,0–3,5 | Aceitável | Edifício existente com temperaturas de ida elevadas |
| 3,5–4,0 | Bom | Edifício novo padrão |
| > 4,0 | Muito bom | Edifício novo com piso radiante, geotermia |
Nota sobre apoios em Portugal: Muitos programas de incentivo, como o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental), exigem que a bomba de calor cumpra classes de eficiência mínimas (por exemplo, classe A+ ou superior segundo a etiqueta energética da UE) e seja instalada por profissionais qualificados. A JAZ real deve ser considerada no estudo económico, embora não exista, atualmente, um valor mínimo único definido em regulamento nacional.
Explicações detalhadas sobre estes indicadores e a sua utilização no dimensionamento encontram‑se no artigo Indicadores e dimensionamento de bombas de calor.
Escolher a potência correta
O dimensionamento adequado de uma bomba de calor é decisivo para a eficiência e o conforto. Uma bomba de calor sobredimensionada liga e desliga frequentemente (ciclagem), o que aumenta o desgaste e reduz a eficiência.
Carga térmica como base
A carga térmica de aquecimento indica a potência necessária na condição de temperatura exterior de projeto. Em Portugal, o cálculo deve seguir as normas europeias aplicáveis, nomeadamente a EN 12831 (cálculo das cargas térmicas de aquecimento), transposta e referida no âmbito do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), gerido pela ADENE.
Valores de referência para carga térmica específica:
| Tipo de edifício | Carga térmica específica |
|---|---|
| Edifício tipo “passivhaus” | 10–20 W/m² |
| Edifício muito eficiente (≈ classe A/A+) | 25–35 W/m² |
| Edifício novo conforme REH atual | 40–50 W/m² |
| Edifício pós‑1995 com alguma melhoria | 60–80 W/m² |
| Edifício anterior a 1980 | 100–150 W/m² |
| Edifício antigo sem reabilitação | 120–180 W/m² |
Regra prática para a carga térmica
Carga térmica (kW) = Área útil aquecida (m²) × Valor específico (W/m²) ÷ 1000
Exemplo: Um edifício novo com 150 m² e 45 W/m² necessita de: 150 × 45 ÷ 1000 = 6,75 kW de carga térmica
Acréscimo para água quente sanitária
Para a produção de água quente sanitária (AQS) adiciona‑se um acréscimo:
- Agregado familiar típico: +0,25 kW por pessoa
- Em caso de bomba de calor dedicada apenas a AQS: considera‑se em separado
Exemplo completo:
- 150 m² em edifício novo: 6,75 kW
- Agregado de 4 pessoas: +1,0 kW
- Total: 7,75 kW → selecionar bomba de calor de cerca de 8 kW
Evitar sobredimensionamento: Uma bomba de calor 20% sobredimensionada pode reduzir a eficiência sazonal em 10–15%. É preferível dimensionar de forma ajustada e, em situações extremas, recorrer a resistência elétrica de apoio.
Para um cálculo rigoroso, deve ser efetuado um estudo térmico conforme a EN 12831 e o REH, normalmente no âmbito do projeto de especialidades e do Certificado Energético.
Modos de funcionamento
Consoante o edifício e as necessidades, podem ser adotados diferentes modos de funcionamento.
Funcionamento monovalente
A bomba de calor cobre sozinha todas as necessidades de aquecimento. É, em regra, o modo mais eficiente.
Condições:
- Edifício bem isolado (novo ou reabilitado)
- Sistema de aquecimento de baixa temperatura (idealmente ≤ 55°C de ida)
- Bomba de calor dimensionada para a carga térmica de projeto
Funcionamento bivalente
A bomba de calor funciona em conjunto com um segundo gerador de calor. Abaixo de uma determinada temperatura exterior (ponto de bivalência) entra em funcionamento o sistema de apoio.
Variantes:
| Variante | Descrição |
|---|---|
| Bivalente‑paralelo | Bomba de calor e apoio funcionam em simultâneo |
| Bivalente‑alternativo | Abaixo do ponto de bivalência funciona apenas o apoio |
| Bivalente parcial | Combinação das duas estratégias |
Sistema híbrido
Um sistema híbrido combina bomba de calor e caldeira a gás/gasóleo de condensação num único conjunto ou numa solução integrada. A regulação seleciona automaticamente o modo mais económico, tendo em conta preços de energia e condições de funcionamento.
Ajuda à decisão:
| Situação | Modo recomendado |
|---|---|
| Edifício novo com piso radiante | Monovalente |
| Edifício reabilitado com baixas temperaturas de ida | Monovalente |
| Edifício existente com radiadores a 60°C | Bivalente ou híbrido |
| Edifício antigo sem reabilitação prevista | Híbrido |
Mais detalhes sobre estes modos de funcionamento encontram‑se no artigo Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido.
Custos e viabilidade económica
Os custos de uma bomba de calor dividem‑se em investimento (equipamento e instalação) e custos de exploração.
Custos de investimento (incluindo instalação)
| Tipo de bomba de calor | Custos | Observações |
|---|---|---|
| Ar‑água | 10.000–20.000 € | Dependente da potência e marca |
| Solo‑água (coletor) | 15.000–25.000 € | Inclui coletor enterrado |
| Solo‑água (sonda) | 18.000–35.000 € | Inclui sondagens (≈80–120 €/m) |
| Água‑água | 15.000–30.000 € | Inclui captação e poço de rejeição |
Valores indicativos para moradias unifamiliares; em Portugal, custos de mão de obra e licenciamento podem variar por região.
Cálculo dos custos de exploração
Os custos anuais de eletricidade podem ser estimados por:
Custo elétrico anual = Necessidades de calor (kWh/ano) ÷ JAZ × Preço da eletricidade (€/kWh)
Exemplo:
- Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano
- JAZ: 4,0
- Preço da eletricidade: 0,30 €/kWh
Custo = 15.000 ÷ 4,0 × 0,30 = 1.125 €/ano
Comparação com outros sistemas de aquecimento
| Indicador | Bomba de calor | Caldeira a gás condensação | Caldeira a gasóleo condensação |
|---|---|---|---|
| Preço da energia | 0,30 €/kWh (eletricidade) | 0,12 €/kWh | 0,10 €/kWh |
| JAZ / Rendimento | 4,0 | 0,95 | 0,90 |
| Custo efetivo | 0,075 €/kWh | 0,126 €/kWh | 0,111 €/kWh |
| Para 15.000 kWh/ano | 1.125 €/ano | 1.890 €/ano | 1.665 €/ano |
Com uma JAZ de 4,0, a bomba de calor apresenta os custos de exploração mais baixos, apesar do preço unitário da eletricidade ser superior ao do gás ou gasóleo.
Apoios e incentivos em Portugal
Em Portugal, não existem organismos equivalentes ao BAFA ou KfW alemães. Os apoios são geridos sobretudo pelo Fundo Ambiental, por programas financiados pelo PRR e por instrumentos fiscais.
Programas relevantes (situação 2025/2026, podendo sofrer alterações):
| Programa / Instrumento | Tipo de apoio | Principais condições (resumo) |
|---|---|---|
| Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental) | Subsídio a fundo perdido para substituição de sistemas de climatização por bombas de calor de alta eficiência e para isolamento térmico | Edifícios de habitação existentes; montantes típicos por equipamento entre ~1.000–2.500 €; cumprimento de requisitos mínimos de eficiência (classe A ou superior na etiqueta energética), instalação por empresa habilitada; candidatura online antes ou logo após a intervenção, conforme aviso |
| Vale Eficiência (Fundo Ambiental / PRR) | “Vouchers” para famílias em situação de vulnerabilidade energética, para medidas como bombas de calor, janelas eficientes e isolamento | Destinado a beneficiários de tarifa social de energia ou critérios sociais definidos; valor do vale por fase ~1.300 €; intervenção realizada por empresas aderentes |
| Incentivos fiscais (IRS/IRC) | Dedução de parte das despesas com reabilitação energética e equipamentos de energias renováveis em sede de IRS; amortizações e benefícios em sede de IRC para empresas | Aplicável a contribuintes que realizem obras de melhoria energética; regras e limites definidos anualmente no Orçamento do Estado |
| Programas municipais / regionais | Apoios complementares em alguns municípios (por exemplo, redução de taxas urbanísticas ou pequenos subsídios) | Verificar regulamentos municipais e programas locais de eficiência energética |
Sugestão: Antes de adjudicar a instalação, consulte o Fundo Ambiental (www.fundoambiental.pt), a ADENE (www.adene.pt) e o seu município para conhecer os avisos de concurso em vigor, montantes máximos e requisitos técnicos atualizados.
Bomba de calor em edifícios existentes
A instalação de uma bomba de calor em edifícios antigos é possível, mas exige um estudo cuidado.
Principais desafios
- Temperaturas de ida elevadas: Radiadores antigos podem exigir 60–70°C
- Fraca qualidade da envolvente: Elevadas perdas térmicas implicam bombas de calor de grande potência
- Limitações de espaço: A implantação da unidade exterior pode ser difícil em centros urbanos densos
Estratégias de solução
| Medida | Efeito |
|---|---|
| Isolamento de fachada e cobertura | Reduz a carga térmica em 30–50% |
| Substituição de janelas | Diminui as perdas por transmissão e infiltração |
| Radiadores de baixa temperatura | Permitem temperaturas de ida de 45–50°C |
| Piso radiante (total ou parcial) | Reduz significativamente a temperatura de ida |
| Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) | Garante conforto em picos de frio com menor investimento inicial |
JAZ expectável em edifícios existentes
| Estado do edifício | Temperatura de ida | JAZ expectável |
|---|---|---|
| Sem reabilitação, radiadores antigos | 60–70°C | 2,5–3,0 |
| Parcialmente reabilitado | 50–55°C | 3,0–3,5 |
| Reabilitado, radiadores dimensionados para baixa T | 45–50°C | 3,5–4,0 |
| Reabilitado, piso radiante | 35–40°C | 4,0–4,5 |
Regra prática: Cada redução de 5°C na temperatura de ida melhora a JAZ em cerca de 0,3–0,5 pontos.
A combinação ideal: bomba de calor + fotovoltaico
A combinação de bomba de calor com um sistema fotovoltaico (PV) traz vantagens significativas: a eletricidade solar autoconsumida alimenta a bomba de calor, reduzindo os custos de exploração e a pegada de carbono.
Sinergias da combinação
- Aumento do autoconsumo: O excedente fotovoltaico é utilizado pela bomba de calor
- Redução da fatura elétrica: Menor energia comprada à rede
- Aquecimento com baixas emissões: Energia renovável para aquecimento
- Maior independência: Menor exposição a variações de preços da eletricidade
Recomendações de dimensionamento
| Componente | Dimensionamento típico | Exemplo (150 m²) |
|---|---|---|
| Bomba de calor | Em função da carga térmica | 8 kW |
| Sistema PV | Potência “normal” + 2–3 kWp | 10 kWp |
| Bateria | Opcional, 8–12 kWh | 10 kWh |
Exemplo de cálculo
Situação de base:
- Moradia de 150 m², 4 pessoas
- Bomba de calor de 8 kW, JAZ 4,0
- Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano → consumo elétrico da bomba: 3.750 kWh/ano
- Consumo elétrico doméstico: 4.000 kWh/ano
- Total: 7.750 kWh/ano
Com 10 kWp PV e bateria de 10 kWh:
- Produção PV: ~10.000 kWh/ano (valor típico em Portugal continental)
- Autoconsumo: ~5.000 kWh/ano (50%)
- Grau de autonomia: ~65%
- Energia comprada à rede: apenas 2.750 kWh/ano
- Poupança: ~1.500 €/ano (dependendo das tarifas e remuneração do excedente)
Mais informação sobre esta combinação encontra‑se no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.
Vantagens e desvantagens em resumo
Vantagens
| Vantagem | Explicação |
|---|---|
| Elevada eficiência | JAZ 3–5: de 1 kWh elétrico obtêm‑se 3–5 kWh térmicos |
| Menores emissões | Sem emissões diretas de CO₂; com eletricidade renovável, emissões muito reduzidas |
| Custos de exploração baixos | Com boa JAZ, mais barato do que gás ou gasóleo |
| Vida útil longa | 15–25 anos, com baixa necessidade de manutenção |
| Sem armazenamento de combustível | Dispensa depósito de gasóleo ou ligação a gás |
| Possibilidade de arrefecimento | Muitos modelos permitem arrefecimento no verão |
| Acesso a apoios | Programas nacionais e municipais de incentivo à eficiência energética |
Desvantagens
| Desvantagem | Explicação |
|---|---|
| Investimento inicial elevado | 10.000–35.000 € consoante o tipo |
| Dependência da eletricidade | Em falha de energia, não há aquecimento |
| Queda de eficiência com frio intenso | Bombas ar‑água perdem desempenho com temperaturas muito baixas |
| Ruído | Unidade exterior ou interior pode ser audível (≈35–50 dB) |
| Necessidade de baixas temperaturas de ida | Nem todos os sistemas de radiadores existentes são adequados |
| Exigência de bom projeto | Dimensionamento e integração hidráulica têm de ser bem estudados |
Perguntas frequentes (FAQ)
Compensa instalar uma bomba de calor num edifício antigo?
Sim, em muitas situações. O fator decisivo é a temperatura de ida necessária e a carga térmica após eventuais melhorias na envolvente. Com temperaturas de ida inferiores a 55°C e uma JAZ de, pelo menos, 3,0, a bomba de calor tende a ser economicamente interessante. Quando se mantêm temperaturas muito elevadas, um sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) pode ser a solução mais equilibrada.
Quão ruidosa é uma bomba de calor?
Bombas de calor ar‑água modernas apresentam níveis de potência sonora típicos entre 35 e 55 dB(A). Para referência: um frigorífico ronda os 40 dB(A) e uma conversa normal cerca de 60 dB(A). A localização da unidade exterior deve respeitar distâncias mínimas a vizinhos e quartos, bem como os limites de ruído definidos nos regulamentos municipais.
Qual é a vida útil de uma bomba de calor?
Com manutenção regular, a vida útil situa‑se entre 15 e 25 anos. O compressor é o componente mais sensível ao desgaste. Ciclagem frequente (liga/desliga) reduz a durabilidade, pelo que um dimensionamento adequado e uma boa regulação são essenciais.
Qual é a temperatura de ida ideal?
Quanto mais baixa, melhor a eficiência. Valores de referência:
- Piso radiante: 30–35°C
- Radiadores de baixa temperatura: 45–50°C
- Radiadores convencionais: 55–60°C
Por cada redução de 5°C na temperatura de ida, a JAZ aumenta tipicamente 0,3–0,5 pontos.
Uma bomba de calor também pode arrefecer?
Sim. Muitas bombas de calor são reversíveis e podem funcionar em modo de arrefecimento no verão. Bombas ar‑água permitem arrefecimento ativo; sistemas solo‑água podem oferecer arrefecimento passivo através do solo. A potência de arrefecimento é limitada e não substitui, em todos os casos, um sistema de climatização dedicado, mas pode melhorar significativamente o conforto.
Regulamentos, normas e certificação energética em Portugal
Em Portugal, o desempenho energético dos edifícios e dos sistemas técnicos, incluindo bombas de calor, é regulado por um conjunto de diplomas e normas técnicas.
- Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços (RECS), aprovados pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e legislação complementar, definem requisitos mínimos de desempenho térmico da envolvente (valores limite de coeficientes de transmissão térmica U para paredes, coberturas, pavimentos e vãos envidraçados) e de eficiência dos sistemas técnicos.
- O cálculo dos coeficientes U segue a EN ISO 6946 (elementos opacos) e normas associadas para envidraçados, incorporadas nos métodos do SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, gerido pela ADENE.
- O dimensionamento de cargas térmicas de aquecimento deve respeitar a EN 12831, referida nos métodos nacionais de cálculo.
- Para bombas de calor, aplicam‑se as normas europeias de produto, como a EN 14511 (ensaios e avaliação de desempenho) e a EN 14825 (SCOP/SEER), que estão na base da etiqueta energética da UE.
Certificado energético e etiquetagem
- Todos os edifícios novos e a maioria das transações (venda/arrendamento) exigem Certificado Energético, emitido por peritos qualificados no âmbito do SCE.
- As bombas de calor comercializadas na UE têm de apresentar etiqueta energética segundo os regulamentos europeus de conceção ecológica (Ecodesign) e etiquetagem, com classes de A+++ a G.
- Em Portugal, muitos programas de apoio exigem que o equipamento atinja uma classe mínima (por exemplo, A+ ou A++) e que o edifício atinja ou melhore uma determinada classe no Certificado Energético.
Conclusão
Ideia principal: As bombas de calor utilizam calor do ambiente e, com JAZ entre 3 e 5, são significativamente mais eficientes do que os sistemas fósseis. São particularmente adequadas para edifícios novos e funcionam também em edifícios existentes, desde que a temperatura de ida possa ser limitada a cerca de 55°C ou menos. Em combinação com um sistema fotovoltaico, permitem um aquecimento com emissões muito reduzidas de CO₂.
A escolha do tipo de bomba de calor depende do edifício, do terreno disponível e do orçamento. As bombas de calor ar‑água oferecem, em geral, o melhor compromisso entre custo e eficiência, enquanto os sistemas solo‑água atingem as eficiências mais elevadas quando existe espaço e condições para a sua instalação.
Série completa de artigos sobre bombas de calor
- Bomba de calor: O guia completo – está aqui
- O anti‑frigorífico: como funciona uma bomba de calor? – Fundamentos físicos
- Os componentes: permutadores, compressor e válvula de expansão – Componentes em detalhe
- Indicadores e dimensionamento de bombas de calor – COP, JAZ, SCOP
- Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido – Modos de operação explicados
- Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares – Tipos & combinação com PV
Fontes
- DESTATIS: Bombas de calor em edifícios novos 2023
- Fundo Ambiental – Programas de apoio a edifícios e eficiência energética
- ADENE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE)
- Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020, de 7 de dezembro – Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios
- EN 12831 – Cálculo das cargas térmicas de aquecimento
- EN ISO 6946 – Resistência térmica e transmissão de calor de elementos de construção
- EN 14511 e EN 14825 – Ensaios e avaliação de desempenho de bombas de calor
- Mordor Intelligence: Heat Pumps Market Report
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