Bomba de calor: o guia completo
As bombas de calor tornaram‑se a tecnologia de aquecimento dominante em muitos mercados europeus. Em Portugal, a sua utilização cresce de forma contínua, sobretudo em edifícios novos com requisitos de elevado desempenho energético. A nível mundial, o mercado atingiu em 2024 um volume de cerca de 70 mil milhões de dólares norte‑americanos.
Esta evolução tem várias causas: aumento dos preços dos combustíveis fósseis, maior consciência ambiental, metas climáticas europeias e programas de apoio públicos. Soma‑se a isto o progresso técnico, que tornou as bombas de calor mais eficientes e silenciosas.
Este guia para 2026 explica o princípio de funcionamento, compara os diferentes tipos de bombas de calor, analisa custos e apoios disponíveis em Portugal e dá indicações para um dimensionamento correto. Encontra ainda referências para os nossos artigos técnicos de aprofundamento sobre temas específicos.
O que é uma bomba de calor?
Uma bomba de calor é um equipamento que transporta calor de um nível de temperatura mais baixo para um nível mais elevado. O princípio é idêntico ao de um frigorífico – apenas com o objetivo inverso: enquanto o frigorífico retira calor do seu interior e o liberta para o ambiente, a bomba de calor retira calor do ambiente e transfere‑o para o sistema de aquecimento.
O ciclo em quatro fases
O ciclo termodinâmico da bomba de calor é composto por quatro fases sucessivas:
| Fase | Componente | Processo | Estado físico |
|---|---|---|---|
| 1 | Evaporador | Captação de calor do ambiente | Líquido → Gasoso |
| 2 | Compressor | Aumento de pressão e aquecimento | Gasoso (quente) |
| 3 | Condensador | Cedência de calor ao aquecimento | Gasoso → Líquido |
| 4 | Válvula de expansão | Redução de pressão e arrefecimento | Líquido (frio) |
O fluido frigorigéneo percorre este ciclo de forma contínua. Absorve calor a baixa temperatura e liberta‑o a uma temperatura mais elevada. O compressor é o único componente que consome energia elétrica de forma significativa.
Fundamento físico: A bomba de calor não contraria a termodinâmica. A energia elétrica fornecida ao compressor permite o transporte de calor contra o gradiente natural de temperatura.
Uma explicação detalhada dos fundamentos físicos encontra‑a no artigo O “anti‑frigorífico”: como funciona uma bomba de calor?.
Componentes principais
Todas as bombas de calor integram os mesmos componentes básicos, que trabalham em circuito fechado:
| Componente | Função | Características |
|---|---|---|
| Evaporador | Capta calor do ambiente | Permutador de calor, grande área de troca |
| Compressor | Comprime o fluido frigorigéneo | Acionado eletricamente, principal consumidor de energia |
| Condensador | Transfere calor para o aquecimento | Permutador de calor, compacto |
| Válvula de expansão | Reduz pressão e temperatura | Órgão de estrangulamento, sem manutenção |
| Fluido frigorigéneo | Transporta o calor | Evapora a baixa temperatura |
Evolução dos fluidos frigorigéneos
Fluidos tradicionais como o R410A têm um elevado potencial de aquecimento global (GWP). As bombas de calor modernas utilizam cada vez mais R290 (propano), com um GWP de apenas 3 (face a 2088 no R410A). O R290 é inflamável, pelo que as cargas de fluido são limitadas e devem ser respeitadas distâncias de segurança.
Mais detalhes sobre cada componente são apresentados no artigo Componentes: permutadores de calor, compressor e válvula de expansão.
Tipos de bombas de calor em comparação
As bombas de calor classificam‑se de acordo com a fonte de calor e o fluido de distribuição no sistema de aquecimento. Os três tipos mais comuns em edifícios de habitação são:
Bomba de calor ar‑água
A bomba de calor ar‑água retira calor ao ar exterior e transfere‑o para a água de aquecimento. É o tipo mais utilizado em edifícios residenciais.
Vantagens:
- Custos de instalação relativamente baixos
- Normalmente sem necessidade de licenciamento específico
- Instalação flexível (unidade interior e/ou exterior)
- Montagem rápida
Desvantagens:
- A eficiência diminui com temperaturas exteriores muito baixas
- Ruído da unidade exterior
- Custos de exploração superiores aos sistemas solo‑água
Bomba de calor solo‑água (geotermia)
A bomba de calor solo‑água utiliza a temperatura praticamente constante do solo. O calor é captado através de coletores horizontais ou sondagens verticais.
Vantagens:
- Maior eficiência (temperatura da fonte quase constante)
- Muito silenciosa (sem unidade exterior com ventilador)
- Possibilidade de arrefecimento passivo no verão
- Custos de exploração mais baixos
Desvantagens:
- Investimento inicial elevado (escavações/sondagens)
- Necessidade de licenciamento para sondagens profundas
- Requer área de terreno para coletores horizontais
- Maior tempo de planeamento e obra
Bomba de calor ar‑ar
A bomba de calor ar‑ar aquece diretamente o ar interior, sem circuito de água. Em Portugal é muito comum sob a forma de sistemas tipo “split” de climatização reversível.
Vantagens:
- Aquecimento e arrefecimento no mesmo equipamento
- Investimento relativamente reduzido
- Resposta rápida às variações de temperatura
Desvantagens:
- Não produz água quente sanitária
- Exige unidades interiores ou rede de condutas de ar
- Geralmente menos eficiente do que sistemas com água
Tabela comparativa dos tipos de bomba de calor
| Critério | Ar‑água | Solo‑água | Ar‑ar |
|---|---|---|---|
| Investimento | 10.000–20.000 € | 18.000–35.000 € | 8.000–15.000 € |
| JAZ (fator de desempenho anual) | 3,0–4,0 | 4,0–5,0 | 2,5–3,5 |
| Necessidade de espaço | Reduzida | Elevada (movimento de terras/sondagens) | Reduzida |
| Licenciamento | Regra geral não | Sim (sondagens geotérmicas) | Regra geral não |
| Água quente sanitária | Sim | Sim | Não |
| Arrefecimento | Opcional (ativo) | Possível (passivo/ativo) | Sim |
| Ruído | Unidade exterior audível | Muito silenciosa | Unidades interiores audíveis |
| Ideal para | Obra nova e reabilitação | Obra nova com terreno disponível | Aquecimento complementar e climatização |
Mais informação sobre os diferentes tipos e a combinação com sistemas solares encontra‑a no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.
Indicadores de desempenho: COP, JAZ, SCOP
A eficiência de uma bomba de calor é expressa através de vários indicadores. Compreender estes valores é essencial para avaliar e comparar equipamentos.
COP – Coefficient of Performance
O COP é um valor instantâneo medido em condições laboratoriais normalizadas (por exemplo, A2/W35 = 2°C de ar exterior, 35°C de temperatura de ida).
Cálculo:
COP = Potência térmica (kW) ÷ Potência elétrica (kW)
Um COP de 4 significa que, a partir de 1 kW de eletricidade, se obtêm 4 kW de calor.
SCOP – Seasonal Coefficient of Performance
O SCOP considera vários pontos de funcionamento ao longo de uma época de aquecimento e é mais representativo do que o COP. É determinado segundo a EN 14825 e indicado na etiqueta energética da UE.
JAZ – Fator de desempenho anual
A JAZ (Jahresarbeitszahl) corresponde à eficiência real de uma bomba de calor instalada, ao longo de um ano. Considera todas as condições de funcionamento, carga parcial e consumos auxiliares.
Cálculo (conceito equivalente ao da VDI 4650):
JAZ = Calor útil produzido (kWh/ano) ÷ Energia elétrica consumida (kWh/ano)
Avaliação da JAZ
| JAZ | Avaliação | Aplicação típica |
|---|---|---|
| < 3,0 | Insuficiente | Instalações antigas, condições desfavoráveis |
| 3,0–3,5 | Aceitável | Edifícios existentes com temperaturas de ida elevadas |
| 3,5–4,0 | Boa | Edifício novo padrão |
| > 4,0 | Muito boa | Obra nova com piso radiante, geotermia |
Nota sobre apoios em Portugal: Em programas recentes como o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental), a atribuição de apoio a bombas de calor exige que o equipamento cumpra requisitos mínimos de eficiência (classe energética A+ ou superior e SCOP/JAZ elevados), de acordo com a regulamentação europeia de conceção ecológica e etiquetagem energética. Verifique sempre os critérios específicos do aviso em vigor.
Explicações detalhadas sobre estes indicadores e a sua determinação encontram‑se no artigo Indicadores e dimensionamento de bombas de calor.
Escolher a potência correta
Um dimensionamento adequado é decisivo para a eficiência e o conforto. Uma bomba de calor sobredimensionada entra frequentemente em ciclo (liga/desliga), o que aumenta o desgaste e reduz a eficiência.
Carga térmica como base
A carga térmica indica a potência de aquecimento necessária para a temperatura exterior de cálculo. Em Portugal, o cálculo da carga térmica e das necessidades de aquecimento é efetuado de acordo com as normas europeias (por exemplo, EN 12831 para carga térmica de aquecimento) e com o quadro regulamentar nacional do SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, atualmente enquadrado pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e respetivas portarias.
Valores de referência para carga térmica específica (orientativos):
| Tipo de edifício | Carga térmica específica |
|---|---|
| Edifício passivo | 10–20 W/m² |
| Edifício muito eficiente (NZEB) | 25–35 W/m² |
| Obra nova conforme requisitos mínimos atuais do SCE | 40–50 W/m² |
| Edifício reabilitado (após 1995, com melhorias) | 60–80 W/m² |
| Edifício anterior a 1980 | 100–150 W/m² |
| Edifício antigo sem reabilitação | 120–180 W/m² |
Regra prática para a carga térmica
Carga térmica (kW) = Área útil aquecida (m²) × Valor específico (W/m²) ÷ 1000
Exemplo: Um edifício novo com 150 m² e 45 W/m² necessita de: 150 × 45 ÷ 1000 = 6,75 kW de carga térmica
Margem para água quente sanitária
Para a preparação de água quente sanitária (AQS) adiciona‑se uma margem:
- Agregado familiar médio: +0,25 kW por pessoa
- Se existir bomba de calor dedicada a AQS: esta margem é considerada nesse equipamento
Exemplo completo:
- 150 m² de área útil: 6,75 kW
- Agregado de 4 pessoas: +1,0 kW
- Total: 7,75 kW → selecionar bomba de calor de cerca de 8 kW
Evitar sobredimensionamento: Uma bomba de calor 20% acima do necessário pode reduzir a eficiência em 10–15%. É preferível uma dimensão ligeiramente contida e, em situações de frio extremo, recorrer a uma resistência elétrica de apoio.
Para um cálculo rigoroso, recomenda‑se o recurso a um projetista ou perito qualificado SCE, que dimensione o sistema de acordo com a EN 12831 e com o regulamento português em vigor.
Modos de funcionamento
Consoante o edifício e as necessidades, podem ser adotados diferentes modos de funcionamento.
Funcionamento monovalente
A bomba de calor cobre sozinha todas as necessidades de aquecimento. É o modo mais eficiente.
Requisitos:
- Edifício bem isolado (obra nova ou reabilitada)
- Sistema de aquecimento de baixa temperatura (idealmente ≤ 55°C de ida)
- Bomba de calor dimensionada para a carga térmica de projeto
Funcionamento bivalente
A bomba de calor funciona em conjunto com um segundo gerador de calor. Abaixo de uma determinada temperatura exterior (ponto de bivalência), entra em funcionamento o sistema de apoio.
Variantes:
| Variante | Descrição |
|---|---|
| Bivalente‑paralelo | Bomba de calor e apoio funcionam em simultâneo |
| Bivalente‑alternativo | Abaixo do ponto de bivalência funciona apenas o apoio |
| Bivalente parcial‑paralelo | Combinação das duas estratégias |
Funcionamento híbrido
Um sistema híbrido combina bomba de calor e caldeira a gás/gasóleo num único conjunto ou numa instalação integrada. A regulação seleciona automaticamente o modo mais económico, tendo em conta preços de energia e condições de funcionamento.
Ajuda à decisão:
| Situação | Modo recomendado |
|---|---|
| Obra nova com piso radiante | Monovalente |
| Edifício reabilitado com baixas temperaturas de ida | Monovalente |
| Edifício existente com radiadores a 60°C | Bivalente ou híbrido |
| Edifício antigo sem reabilitação prevista | Híbrido |
Mais detalhes sobre os modos de funcionamento encontram‑se no artigo Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido.
Custos e rentabilidade
Os custos de uma bomba de calor dividem‑se em investimento (equipamento e instalação) e custos de exploração.
Custos de investimento (incluindo instalação)
| Tipo de bomba de calor | Custos | Observações |
|---|---|---|
| Ar‑água | 10.000–20.000 € | Dependente da potência e marca |
| Solo‑água (coletor horizontal) | 15.000–25.000 € | Inclui coletor enterrado |
| Solo‑água (sonda vertical) | 18.000–35.000 € | Inclui sondagens (≈80–120 €/m) |
| Água‑água | 15.000–30.000 € | Inclui captação e poço de rejeição |
Valores indicativos para o mercado residencial; os custos reais variam com a complexidade da instalação, localização e condições do terreno.
Cálculo dos custos de exploração
Os custos anuais de eletricidade podem ser estimados com a seguinte fórmula:
Custo elétrico anual = Necessidades de calor (kWh/ano) ÷ JAZ × Preço da eletricidade (€/kWh)
Exemplo:
- Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano
- JAZ: 4,0
- Preço da eletricidade: 0,30 €/kWh
Custo elétrico = 15.000 ÷ 4,0 × 0,30 = 1.125 €/ano
Comparação entre sistemas de aquecimento
| Indicador | Bomba de calor | Caldeira a gás condensação | Caldeira a gasóleo condensação |
|---|---|---|---|
| Preço da energia | 0,30 €/kWh (eletricidade) | 0,12 €/kWh (gás natural, valor indicativo) | 0,10 €/kWh (gasóleo, valor indicativo) |
| Rendimento/JAZ | 4,0 | 0,95 | 0,90 |
| Custo efetivo | 0,075 €/kWh | 0,126 €/kWh | 0,111 €/kWh |
| Para 15.000 kWh/ano | 1.125 €/ano | 1.890 €/ano | 1.665 €/ano |
Com uma JAZ de 4,0, a bomba de calor apresenta os custos de exploração mais baixos, apesar do preço unitário da eletricidade ser superior ao do gás ou gasóleo.
Apoios e incentivos em Portugal
Em Portugal não existem entidades equivalentes ao BAFA ou KfW alemães, mas há programas nacionais e europeus geridos por diferentes organismos.
Alguns exemplos relevantes (consulte sempre os avisos mais recentes, pois as condições e dotações mudam):
| Programa / Medida | Tipo de apoio | Principais condições (resumo) |
|---|---|---|
| Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental) | Comparticipação a fundo perdido para bombas de calor, isolamento, janelas eficientes, solar térmico e fotovoltaico | Edifícios de habitação existentes; percentagem de apoio e tetos máximos por medida; equipamentos com classe energética mínima (normalmente A+ ou superior); candidatura online antes ou logo após a intervenção, conforme aviso |
| Vale Eficiência (Fundo Ambiental) | Vales (até vários milhares de euros) para famílias em situação de vulnerabilidade energética, para obras de melhoria (incluindo bombas de calor e isolamento) | Destinado a beneficiários de tarifa social de energia ou critérios sociais definidos; intervenção realizada por empresas aderentes |
| Programas do PRR e POSEUR/SI Ambiente | Apoios a projetos de eficiência energética e renováveis em edifícios públicos e setor empresarial | Candidaturas através de avisos específicos; aplicável sobretudo a municípios, IPSS, empresas e serviços |
| Benefícios fiscais pontuais | Em determinados anos, possibilidade de dedução em IRS de parte das despesas com eficiência energética em habitação própria permanente | Sujeito a legislação fiscal em vigor (Código do IRS e Orçamentos do Estado anuais) |
Em Portugal: Verifique regularmente o portal do Fundo Ambiental e os avisos do Portal da Habitação para conhecer programas ativos para bombas de calor, isolamento e sistemas solares. Em muitos casos, a candidatura deve ser submetida antes da obra ou com fatura recente, e os equipamentos têm de cumprir requisitos mínimos de eficiência e certificação.
Bomba de calor em edifícios existentes
A instalação de uma bomba de calor em edifícios antigos é possível, mas exige um estudo cuidado.
Principais desafios
- Temperaturas de ida elevadas: Radiadores antigos podem exigir 60–70°C
- Fraca qualidade da envolvente: Elevadas perdas térmicas implicam bombas de calor de grande potência
- Limitações de espaço: A localização da unidade exterior pode ser condicionada por fachadas, varandas ou vizinhança
Estratégias de solução
| Medida | Efeito |
|---|---|
| Isolamento de fachada e cobertura | Reduz a carga térmica em 30–50% |
| Substituição de janelas | Diminui as perdas térmicas e infiltrações |
| Radiadores de baixa temperatura | Permitem temperaturas de ida de 45–50°C |
| Piso radiante (total ou parcial) | Reduz significativamente a temperatura de ida |
| Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira) | Garante conforto em picos de frio mantendo boa eficiência |
Expectativas realistas de JAZ em edifícios existentes
| Estado do edifício | Temperatura de ida | JAZ expectável |
|---|---|---|
| Sem reabilitação, radiadores antigos | 60–70°C | 2,5–3,0 |
| Parcialmente reabilitado | 50–55°C | 3,0–3,5 |
| Reabilitado, radiadores dimensionados para baixa temperatura | 45–50°C | 3,5–4,0 |
| Reabilitado com piso radiante | 35–40°C | 4,0–4,5 |
Regra prática: Cada redução de 5°C na temperatura de ida melhora a JAZ em cerca de 0,3–0,5 pontos.
Guia detalhado: Consulte o artigo completo Bomba de calor em edifícios existentes com teste a 55°C, cenários de reabilitação, sistemas híbridos e comparações de custos.
A combinação ideal: bomba de calor + fotovoltaico
A combinação de bomba de calor com um sistema fotovoltaico (PV) oferece vantagens significativas: a eletricidade solar produzida localmente alimenta a bomba de calor, reduzindo os custos de exploração e a pegada de CO₂.
Sinergias da combinação
- Aumento do autoconsumo: O excedente fotovoltaico é utilizado pela bomba de calor
- Redução da fatura elétrica: Menos energia comprada à rede a 0,30 €/kWh
- Aquecimento com baixas emissões: Maior quota de energia renovável
- Maior independência: Menor exposição a variações de preços da eletricidade
Recomendações de dimensionamento
| Componente | Dimensionamento | Exemplo (150 m²) |
|---|---|---|
| Bomba de calor | De acordo com a carga térmica | 8 kW |
| Sistema fotovoltaico | Potência base + 2–3 kWp para a bomba de calor | 10 kWp |
| Bateria | Opcional, 8–12 kWh | 10 kWh |
Exemplo de cálculo
Situação de base:
- Edifício novo de 150 m², 4 pessoas
- Bomba de calor de 8 kW, JAZ 4,0
- Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano → consumo elétrico da bomba: 3.750 kWh/ano
- Consumo elétrico doméstico: 4.000 kWh/ano
- Total: 7.750 kWh/ano
Com 10 kWp de PV e bateria de 10 kWh:
- Produção PV: cerca de 10.000 kWh/ano
- Autoconsumo: cerca de 5.000 kWh/ano (≈50%)
- Grau de autonomia: cerca de 65%
- Energia comprada à rede: apenas 2.750 kWh/ano
- Poupança: aproximadamente 1.500 €/ano (valores indicativos)
Mais informação sobre esta combinação no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.
Vantagens e desvantagens em resumo
Vantagens
| Vantagem | Explicação |
|---|---|
| Elevada eficiência | JAZ 3–5: de 1 kWh elétrico obtêm‑se 3–5 kWh de calor |
| Menores emissões | Sem emissões diretas de CO₂; com eletricidade renovável, impacto muito reduzido |
| Custos de exploração baixos | Com boa JAZ, mais económico do que gás/gasóleo |
| Vida útil longa | 15–25 anos, com manutenção limitada |
| Sem armazenamento de combustível | Dispensa depósito de gasóleo ou ligação a gás |
| Possibilidade de arrefecimento | Muitos modelos permitem modo de arrefecimento |
| Acesso a apoios | Programas nacionais podem comparticipar parte do investimento |
Desvantagens
| Desvantagem | Explicação |
|---|---|
| Investimento inicial elevado | 10.000–35.000 € consoante o tipo |
| Dependência da eletricidade | Sem alimentação elétrica não há aquecimento |
| Queda de eficiência com frio intenso | Bombas ar‑água perdem desempenho com temperaturas exteriores muito baixas |
| Ruído | Unidade exterior (ou interior, no caso ar‑ar) é audível |
| Necessidade de baixa temperatura de ida | Nem todos os sistemas de radiadores existentes são adequados |
| Exigência de projeto | Requer dimensionamento e conceção cuidados |
Perguntas frequentes (FAQ)
Compensa instalar uma bomba de calor num edifício antigo?
Sim, em muitas situações. O fator decisivo é a temperatura de ida que se consegue após eventuais melhorias na envolvente e nos emissores. Com temperaturas de ida inferiores a 55°C e uma JAZ de pelo menos 3,0, a bomba de calor tende a ser economicamente interessante. Quando são necessárias temperaturas mais elevadas, um sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) pode ser a solução mais equilibrada.
Quão ruidosa é uma bomba de calor?
Bombas de calor ar‑água modernas apresentam níveis de potência sonora típicos entre 35 e 55 dB(A). Para comparação: um frigorífico ronda os 40 dB(A) e uma conversa normal cerca de 60 dB(A). A implantação deve respeitar distâncias mínimas a janelas de quartos e limites de ruído definidos pelos regulamentos municipais e pela legislação de ruído.
Qual é a vida útil de uma bomba de calor?
Com manutenção adequada, a vida útil situa‑se normalmente entre 15 e 25 anos. O compressor é o componente mais sujeito a desgaste. Ciclos frequentes de arranque/paragem reduzem a sua durabilidade, pelo que um dimensionamento correto e uma boa regulação são fundamentais.
Qual é a temperatura de ida ideal?
Quanto mais baixa, melhor a eficiência. Valores de referência:
- Piso radiante: 30–35°C
- Radiadores de baixa temperatura: 45–50°C
- Radiadores convencionais: 55–60°C
Por cada redução de 5°C na temperatura de ida, a JAZ aumenta tipicamente 0,3–0,5 pontos.
Uma bomba de calor também pode arrefecer?
Sim. Muitas bombas de calor são reversíveis e podem funcionar em modo de arrefecimento no verão. As bombas ar‑água oferecem arrefecimento ativo através do circuito de água; os sistemas solo‑água podem proporcionar arrefecimento passivo utilizando a temperatura do solo. A potência de arrefecimento é limitada e não substitui, em todos os casos, um sistema de climatização dedicado.
Conclusão
Ideia principal: As bombas de calor utilizam calor do ambiente e, com JAZ entre 3 e 5, são significativamente mais eficientes do que sistemas de aquecimento a combustíveis fósseis. A tecnologia é particularmente adequada para edifícios novos e funciona também em edifícios existentes, desde que a temperatura de ida possa ser limitada a valores inferiores a cerca de 55°C. Em combinação com um sistema fotovoltaico, a bomba de calor permite um aquecimento com emissões de CO₂ muito reduzidas.
A escolha do tipo de bomba de calor depende do edifício, do terreno disponível e do orçamento. As bombas de calor ar‑água oferecem o melhor compromisso entre custos de investimento e eficiência, enquanto os sistemas solo‑água atingem as eficiências mais elevadas quando existe espaço e condições para a sua instalação.
Série completa de artigos sobre bombas de calor
- Bomba de calor: o guia completo – está aqui
- O “anti‑frigorífico”: como funciona uma bomba de calor? – Fundamentos físicos
- Componentes: permutadores de calor, compressor e válvula de expansão – Componentes em detalhe
- Indicadores e dimensionamento de bombas de calor – COP, JAZ, SCOP
- Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido – Modos de operação explicados
- Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares – Tipos & combinação com PV
Fontes
- Dados de mercado internacionais: Mordor Intelligence: Heat Pumps Market Report
- Quadro regulamentar português: Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 (SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios) e respetiva regulamentação
- Normas europeias relevantes: EN 12831 (cálculo da carga térmica de aquecimento), EN ISO 6946 (cálculo de coeficientes de transmissão térmica U), EN 14511 (ensaio e avaliação de desempenho de bombas de calor), EN 14825 (SCOP)
- Programas de apoio em Portugal: Fundo Ambiental, Vale Eficiência
- Sistema de certificação energética: ADENE – SCE
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