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Bomba de calor: o guia completo

As bombas de calor tornaram‑se a tecnologia de aquecimento dominante em muitos mercados europeus. Em Portugal, a sua utilização cresce de forma contínua, sobretudo em edifícios novos com requisitos de elevado desempenho energético. A nível mundial, o mercado atingiu em 2024 um volume de cerca de 70 mil milhões de dólares norte‑americanos.

Esta evolução tem várias causas: aumento dos preços dos combustíveis fósseis, maior consciência ambiental, metas climáticas europeias e programas de apoio públicos. Soma‑se a isto o progresso técnico, que tornou as bombas de calor mais eficientes e silenciosas.

Este guia para 2026 explica o princípio de funcionamento, compara os diferentes tipos de bombas de calor, analisa custos e apoios disponíveis em Portugal e dá indicações para um dimensionamento correto. Encontra ainda referências para os nossos artigos técnicos de aprofundamento sobre temas específicos.


O que é uma bomba de calor?

Uma bomba de calor é um equipamento que transporta calor de um nível de temperatura mais baixo para um nível mais elevado. O princípio é idêntico ao de um frigorífico – apenas com o objetivo inverso: enquanto o frigorífico retira calor do seu interior e o liberta para o ambiente, a bomba de calor retira calor do ambiente e transfere‑o para o sistema de aquecimento.

O ciclo em quatro fases

O ciclo termodinâmico da bomba de calor é composto por quatro fases sucessivas:

Fase Componente Processo Estado físico
1 Evaporador Captação de calor do ambiente Líquido → Gasoso
2 Compressor Aumento de pressão e aquecimento Gasoso (quente)
3 Condensador Cedência de calor ao aquecimento Gasoso → Líquido
4 Válvula de expansão Redução de pressão e arrefecimento Líquido (frio)

O fluido frigorigéneo percorre este ciclo de forma contínua. Absorve calor a baixa temperatura e liberta‑o a uma temperatura mais elevada. O compressor é o único componente que consome energia elétrica de forma significativa.

Fundamento físico: A bomba de calor não contraria a termodinâmica. A energia elétrica fornecida ao compressor permite o transporte de calor contra o gradiente natural de temperatura.

Uma explicação detalhada dos fundamentos físicos encontra‑a no artigo O “anti‑frigorífico”: como funciona uma bomba de calor?.


Componentes principais

Todas as bombas de calor integram os mesmos componentes básicos, que trabalham em circuito fechado:

Componente Função Características
Evaporador Capta calor do ambiente Permutador de calor, grande área de troca
Compressor Comprime o fluido frigorigéneo Acionado eletricamente, principal consumidor de energia
Condensador Transfere calor para o aquecimento Permutador de calor, compacto
Válvula de expansão Reduz pressão e temperatura Órgão de estrangulamento, sem manutenção
Fluido frigorigéneo Transporta o calor Evapora a baixa temperatura

Evolução dos fluidos frigorigéneos

Fluidos tradicionais como o R410A têm um elevado potencial de aquecimento global (GWP). As bombas de calor modernas utilizam cada vez mais R290 (propano), com um GWP de apenas 3 (face a 2088 no R410A). O R290 é inflamável, pelo que as cargas de fluido são limitadas e devem ser respeitadas distâncias de segurança.

Mais detalhes sobre cada componente são apresentados no artigo Componentes: permutadores de calor, compressor e válvula de expansão.


Tipos de bombas de calor em comparação

As bombas de calor classificam‑se de acordo com a fonte de calor e o fluido de distribuição no sistema de aquecimento. Os três tipos mais comuns em edifícios de habitação são:

Bomba de calor ar‑água

A bomba de calor ar‑água retira calor ao ar exterior e transfere‑o para a água de aquecimento. É o tipo mais utilizado em edifícios residenciais.

Vantagens:

  • Custos de instalação relativamente baixos
  • Normalmente sem necessidade de licenciamento específico
  • Instalação flexível (unidade interior e/ou exterior)
  • Montagem rápida

Desvantagens:

  • A eficiência diminui com temperaturas exteriores muito baixas
  • Ruído da unidade exterior
  • Custos de exploração superiores aos sistemas solo‑água

Bomba de calor solo‑água (geotermia)

A bomba de calor solo‑água utiliza a temperatura praticamente constante do solo. O calor é captado através de coletores horizontais ou sondagens verticais.

Vantagens:

  • Maior eficiência (temperatura da fonte quase constante)
  • Muito silenciosa (sem unidade exterior com ventilador)
  • Possibilidade de arrefecimento passivo no verão
  • Custos de exploração mais baixos

Desvantagens:

  • Investimento inicial elevado (escavações/sondagens)
  • Necessidade de licenciamento para sondagens profundas
  • Requer área de terreno para coletores horizontais
  • Maior tempo de planeamento e obra

Bomba de calor ar‑ar

A bomba de calor ar‑ar aquece diretamente o ar interior, sem circuito de água. Em Portugal é muito comum sob a forma de sistemas tipo “split” de climatização reversível.

Vantagens:

  • Aquecimento e arrefecimento no mesmo equipamento
  • Investimento relativamente reduzido
  • Resposta rápida às variações de temperatura

Desvantagens:

  • Não produz água quente sanitária
  • Exige unidades interiores ou rede de condutas de ar
  • Geralmente menos eficiente do que sistemas com água

Tabela comparativa dos tipos de bomba de calor

Critério Ar‑água Solo‑água Ar‑ar
Investimento 10.000–20.000 € 18.000–35.000 € 8.000–15.000 €
JAZ (fator de desempenho anual) 3,0–4,0 4,0–5,0 2,5–3,5
Necessidade de espaço Reduzida Elevada (movimento de terras/sondagens) Reduzida
Licenciamento Regra geral não Sim (sondagens geotérmicas) Regra geral não
Água quente sanitária Sim Sim Não
Arrefecimento Opcional (ativo) Possível (passivo/ativo) Sim
Ruído Unidade exterior audível Muito silenciosa Unidades interiores audíveis
Ideal para Obra nova e reabilitação Obra nova com terreno disponível Aquecimento complementar e climatização

Mais informação sobre os diferentes tipos e a combinação com sistemas solares encontra‑a no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.


Indicadores de desempenho: COP, JAZ, SCOP

A eficiência de uma bomba de calor é expressa através de vários indicadores. Compreender estes valores é essencial para avaliar e comparar equipamentos.

COP – Coefficient of Performance

O COP é um valor instantâneo medido em condições laboratoriais normalizadas (por exemplo, A2/W35 = 2°C de ar exterior, 35°C de temperatura de ida).

Cálculo:

COP = Potência térmica (kW) ÷ Potência elétrica (kW)

Um COP de 4 significa que, a partir de 1 kW de eletricidade, se obtêm 4 kW de calor.

SCOP – Seasonal Coefficient of Performance

O SCOP considera vários pontos de funcionamento ao longo de uma época de aquecimento e é mais representativo do que o COP. É determinado segundo a EN 14825 e indicado na etiqueta energética da UE.

JAZ – Fator de desempenho anual

A JAZ (Jahresarbeitszahl) corresponde à eficiência real de uma bomba de calor instalada, ao longo de um ano. Considera todas as condições de funcionamento, carga parcial e consumos auxiliares.

Cálculo (conceito equivalente ao da VDI 4650):

JAZ = Calor útil produzido (kWh/ano) ÷ Energia elétrica consumida (kWh/ano)

Avaliação da JAZ

JAZ Avaliação Aplicação típica
< 3,0 Insuficiente Instalações antigas, condições desfavoráveis
3,0–3,5 Aceitável Edifícios existentes com temperaturas de ida elevadas
3,5–4,0 Boa Edifício novo padrão
> 4,0 Muito boa Obra nova com piso radiante, geotermia

Nota sobre apoios em Portugal: Em programas recentes como o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental), a atribuição de apoio a bombas de calor exige que o equipamento cumpra requisitos mínimos de eficiência (classe energética A+ ou superior e SCOP/JAZ elevados), de acordo com a regulamentação europeia de conceção ecológica e etiquetagem energética. Verifique sempre os critérios específicos do aviso em vigor.

Explicações detalhadas sobre estes indicadores e a sua determinação encontram‑se no artigo Indicadores e dimensionamento de bombas de calor.


Escolher a potência correta

Um dimensionamento adequado é decisivo para a eficiência e o conforto. Uma bomba de calor sobredimensionada entra frequentemente em ciclo (liga/desliga), o que aumenta o desgaste e reduz a eficiência.

Carga térmica como base

A carga térmica indica a potência de aquecimento necessária para a temperatura exterior de cálculo. Em Portugal, o cálculo da carga térmica e das necessidades de aquecimento é efetuado de acordo com as normas europeias (por exemplo, EN 12831 para carga térmica de aquecimento) e com o quadro regulamentar nacional do SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios, atualmente enquadrado pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e respetivas portarias.

Valores de referência para carga térmica específica (orientativos):

Tipo de edifício Carga térmica específica
Edifício passivo 10–20 W/m²
Edifício muito eficiente (NZEB) 25–35 W/m²
Obra nova conforme requisitos mínimos atuais do SCE 40–50 W/m²
Edifício reabilitado (após 1995, com melhorias) 60–80 W/m²
Edifício anterior a 1980 100–150 W/m²
Edifício antigo sem reabilitação 120–180 W/m²

Regra prática para a carga térmica

Carga térmica (kW) = Área útil aquecida (m²) × Valor específico (W/m²) ÷ 1000

Exemplo: Um edifício novo com 150 m² e 45 W/m² necessita de: 150 × 45 ÷ 1000 = 6,75 kW de carga térmica

Margem para água quente sanitária

Para a preparação de água quente sanitária (AQS) adiciona‑se uma margem:

  • Agregado familiar médio: +0,25 kW por pessoa
  • Se existir bomba de calor dedicada a AQS: esta margem é considerada nesse equipamento

Exemplo completo:

  • 150 m² de área útil: 6,75 kW
  • Agregado de 4 pessoas: +1,0 kW
  • Total: 7,75 kW → selecionar bomba de calor de cerca de 8 kW

Evitar sobredimensionamento: Uma bomba de calor 20% acima do necessário pode reduzir a eficiência em 10–15%. É preferível uma dimensão ligeiramente contida e, em situações de frio extremo, recorrer a uma resistência elétrica de apoio.

Para um cálculo rigoroso, recomenda‑se o recurso a um projetista ou perito qualificado SCE, que dimensione o sistema de acordo com a EN 12831 e com o regulamento português em vigor.


Modos de funcionamento

Consoante o edifício e as necessidades, podem ser adotados diferentes modos de funcionamento.

Funcionamento monovalente

A bomba de calor cobre sozinha todas as necessidades de aquecimento. É o modo mais eficiente.

Requisitos:

  • Edifício bem isolado (obra nova ou reabilitada)
  • Sistema de aquecimento de baixa temperatura (idealmente ≤ 55°C de ida)
  • Bomba de calor dimensionada para a carga térmica de projeto

Funcionamento bivalente

A bomba de calor funciona em conjunto com um segundo gerador de calor. Abaixo de uma determinada temperatura exterior (ponto de bivalência), entra em funcionamento o sistema de apoio.

Variantes:

Variante Descrição
Bivalente‑paralelo Bomba de calor e apoio funcionam em simultâneo
Bivalente‑alternativo Abaixo do ponto de bivalência funciona apenas o apoio
Bivalente parcial‑paralelo Combinação das duas estratégias

Funcionamento híbrido

Um sistema híbrido combina bomba de calor e caldeira a gás/gasóleo num único conjunto ou numa instalação integrada. A regulação seleciona automaticamente o modo mais económico, tendo em conta preços de energia e condições de funcionamento.

Ajuda à decisão:

Situação Modo recomendado
Obra nova com piso radiante Monovalente
Edifício reabilitado com baixas temperaturas de ida Monovalente
Edifício existente com radiadores a 60°C Bivalente ou híbrido
Edifício antigo sem reabilitação prevista Híbrido

Mais detalhes sobre os modos de funcionamento encontram‑se no artigo Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido.


Custos e rentabilidade

Os custos de uma bomba de calor dividem‑se em investimento (equipamento e instalação) e custos de exploração.

Custos de investimento (incluindo instalação)

Tipo de bomba de calor Custos Observações
Ar‑água 10.000–20.000 € Dependente da potência e marca
Solo‑água (coletor horizontal) 15.000–25.000 € Inclui coletor enterrado
Solo‑água (sonda vertical) 18.000–35.000 € Inclui sondagens (≈80–120 €/m)
Água‑água 15.000–30.000 € Inclui captação e poço de rejeição

Valores indicativos para o mercado residencial; os custos reais variam com a complexidade da instalação, localização e condições do terreno.

Cálculo dos custos de exploração

Os custos anuais de eletricidade podem ser estimados com a seguinte fórmula:

Custo elétrico anual = Necessidades de calor (kWh/ano) ÷ JAZ × Preço da eletricidade (€/kWh)

Exemplo:

  • Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano
  • JAZ: 4,0
  • Preço da eletricidade: 0,30 €/kWh

Custo elétrico = 15.000 ÷ 4,0 × 0,30 = 1.125 €/ano

Comparação entre sistemas de aquecimento

Indicador Bomba de calor Caldeira a gás condensação Caldeira a gasóleo condensação
Preço da energia 0,30 €/kWh (eletricidade) 0,12 €/kWh (gás natural, valor indicativo) 0,10 €/kWh (gasóleo, valor indicativo)
Rendimento/JAZ 4,0 0,95 0,90
Custo efetivo 0,075 €/kWh 0,126 €/kWh 0,111 €/kWh
Para 15.000 kWh/ano 1.125 €/ano 1.890 €/ano 1.665 €/ano

Com uma JAZ de 4,0, a bomba de calor apresenta os custos de exploração mais baixos, apesar do preço unitário da eletricidade ser superior ao do gás ou gasóleo.

Apoios e incentivos em Portugal

Em Portugal não existem entidades equivalentes ao BAFA ou KfW alemães, mas há programas nacionais e europeus geridos por diferentes organismos.

Alguns exemplos relevantes (consulte sempre os avisos mais recentes, pois as condições e dotações mudam):

Programa / Medida Tipo de apoio Principais condições (resumo)
Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis (Fundo Ambiental) Comparticipação a fundo perdido para bombas de calor, isolamento, janelas eficientes, solar térmico e fotovoltaico Edifícios de habitação existentes; percentagem de apoio e tetos máximos por medida; equipamentos com classe energética mínima (normalmente A+ ou superior); candidatura online antes ou logo após a intervenção, conforme aviso
Vale Eficiência (Fundo Ambiental) Vales (até vários milhares de euros) para famílias em situação de vulnerabilidade energética, para obras de melhoria (incluindo bombas de calor e isolamento) Destinado a beneficiários de tarifa social de energia ou critérios sociais definidos; intervenção realizada por empresas aderentes
Programas do PRR e POSEUR/SI Ambiente Apoios a projetos de eficiência energética e renováveis em edifícios públicos e setor empresarial Candidaturas através de avisos específicos; aplicável sobretudo a municípios, IPSS, empresas e serviços
Benefícios fiscais pontuais Em determinados anos, possibilidade de dedução em IRS de parte das despesas com eficiência energética em habitação própria permanente Sujeito a legislação fiscal em vigor (Código do IRS e Orçamentos do Estado anuais)

Em Portugal: Verifique regularmente o portal do Fundo Ambiental e os avisos do Portal da Habitação para conhecer programas ativos para bombas de calor, isolamento e sistemas solares. Em muitos casos, a candidatura deve ser submetida antes da obra ou com fatura recente, e os equipamentos têm de cumprir requisitos mínimos de eficiência e certificação.


Bomba de calor em edifícios existentes

A instalação de uma bomba de calor em edifícios antigos é possível, mas exige um estudo cuidado.

Principais desafios

  • Temperaturas de ida elevadas: Radiadores antigos podem exigir 60–70°C
  • Fraca qualidade da envolvente: Elevadas perdas térmicas implicam bombas de calor de grande potência
  • Limitações de espaço: A localização da unidade exterior pode ser condicionada por fachadas, varandas ou vizinhança

Estratégias de solução

Medida Efeito
Isolamento de fachada e cobertura Reduz a carga térmica em 30–50%
Substituição de janelas Diminui as perdas térmicas e infiltrações
Radiadores de baixa temperatura Permitem temperaturas de ida de 45–50°C
Piso radiante (total ou parcial) Reduz significativamente a temperatura de ida
Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira) Garante conforto em picos de frio mantendo boa eficiência

Expectativas realistas de JAZ em edifícios existentes

Estado do edifício Temperatura de ida JAZ expectável
Sem reabilitação, radiadores antigos 60–70°C 2,5–3,0
Parcialmente reabilitado 50–55°C 3,0–3,5
Reabilitado, radiadores dimensionados para baixa temperatura 45–50°C 3,5–4,0
Reabilitado com piso radiante 35–40°C 4,0–4,5

Regra prática: Cada redução de 5°C na temperatura de ida melhora a JAZ em cerca de 0,3–0,5 pontos.

Guia detalhado: Consulte o artigo completo Bomba de calor em edifícios existentes com teste a 55°C, cenários de reabilitação, sistemas híbridos e comparações de custos.


A combinação ideal: bomba de calor + fotovoltaico

A combinação de bomba de calor com um sistema fotovoltaico (PV) oferece vantagens significativas: a eletricidade solar produzida localmente alimenta a bomba de calor, reduzindo os custos de exploração e a pegada de CO₂.

Sinergias da combinação

  • Aumento do autoconsumo: O excedente fotovoltaico é utilizado pela bomba de calor
  • Redução da fatura elétrica: Menos energia comprada à rede a 0,30 €/kWh
  • Aquecimento com baixas emissões: Maior quota de energia renovável
  • Maior independência: Menor exposição a variações de preços da eletricidade

Recomendações de dimensionamento

Componente Dimensionamento Exemplo (150 m²)
Bomba de calor De acordo com a carga térmica 8 kW
Sistema fotovoltaico Potência base + 2–3 kWp para a bomba de calor 10 kWp
Bateria Opcional, 8–12 kWh 10 kWh

Exemplo de cálculo

Situação de base:

  • Edifício novo de 150 m², 4 pessoas
  • Bomba de calor de 8 kW, JAZ 4,0
  • Necessidades de calor: 15.000 kWh/ano → consumo elétrico da bomba: 3.750 kWh/ano
  • Consumo elétrico doméstico: 4.000 kWh/ano
  • Total: 7.750 kWh/ano

Com 10 kWp de PV e bateria de 10 kWh:

  • Produção PV: cerca de 10.000 kWh/ano
  • Autoconsumo: cerca de 5.000 kWh/ano (≈50%)
  • Grau de autonomia: cerca de 65%
  • Energia comprada à rede: apenas 2.750 kWh/ano
  • Poupança: aproximadamente 1.500 €/ano (valores indicativos)

Mais informação sobre esta combinação no artigo Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares.


Vantagens e desvantagens em resumo

Vantagens

Vantagem Explicação
Elevada eficiência JAZ 3–5: de 1 kWh elétrico obtêm‑se 3–5 kWh de calor
Menores emissões Sem emissões diretas de CO₂; com eletricidade renovável, impacto muito reduzido
Custos de exploração baixos Com boa JAZ, mais económico do que gás/gasóleo
Vida útil longa 15–25 anos, com manutenção limitada
Sem armazenamento de combustível Dispensa depósito de gasóleo ou ligação a gás
Possibilidade de arrefecimento Muitos modelos permitem modo de arrefecimento
Acesso a apoios Programas nacionais podem comparticipar parte do investimento

Desvantagens

Desvantagem Explicação
Investimento inicial elevado 10.000–35.000 € consoante o tipo
Dependência da eletricidade Sem alimentação elétrica não há aquecimento
Queda de eficiência com frio intenso Bombas ar‑água perdem desempenho com temperaturas exteriores muito baixas
Ruído Unidade exterior (ou interior, no caso ar‑ar) é audível
Necessidade de baixa temperatura de ida Nem todos os sistemas de radiadores existentes são adequados
Exigência de projeto Requer dimensionamento e conceção cuidados

Perguntas frequentes (FAQ)

Compensa instalar uma bomba de calor num edifício antigo?

Sim, em muitas situações. O fator decisivo é a temperatura de ida que se consegue após eventuais melhorias na envolvente e nos emissores. Com temperaturas de ida inferiores a 55°C e uma JAZ de pelo menos 3,0, a bomba de calor tende a ser economicamente interessante. Quando são necessárias temperaturas mais elevadas, um sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente) pode ser a solução mais equilibrada.

Quão ruidosa é uma bomba de calor?

Bombas de calor ar‑água modernas apresentam níveis de potência sonora típicos entre 35 e 55 dB(A). Para comparação: um frigorífico ronda os 40 dB(A) e uma conversa normal cerca de 60 dB(A). A implantação deve respeitar distâncias mínimas a janelas de quartos e limites de ruído definidos pelos regulamentos municipais e pela legislação de ruído.

Qual é a vida útil de uma bomba de calor?

Com manutenção adequada, a vida útil situa‑se normalmente entre 15 e 25 anos. O compressor é o componente mais sujeito a desgaste. Ciclos frequentes de arranque/paragem reduzem a sua durabilidade, pelo que um dimensionamento correto e uma boa regulação são fundamentais.

Qual é a temperatura de ida ideal?

Quanto mais baixa, melhor a eficiência. Valores de referência:

  • Piso radiante: 30–35°C
  • Radiadores de baixa temperatura: 45–50°C
  • Radiadores convencionais: 55–60°C

Por cada redução de 5°C na temperatura de ida, a JAZ aumenta tipicamente 0,3–0,5 pontos.

Uma bomba de calor também pode arrefecer?

Sim. Muitas bombas de calor são reversíveis e podem funcionar em modo de arrefecimento no verão. As bombas ar‑água oferecem arrefecimento ativo através do circuito de água; os sistemas solo‑água podem proporcionar arrefecimento passivo utilizando a temperatura do solo. A potência de arrefecimento é limitada e não substitui, em todos os casos, um sistema de climatização dedicado.


Conclusão

Ideia principal: As bombas de calor utilizam calor do ambiente e, com JAZ entre 3 e 5, são significativamente mais eficientes do que sistemas de aquecimento a combustíveis fósseis. A tecnologia é particularmente adequada para edifícios novos e funciona também em edifícios existentes, desde que a temperatura de ida possa ser limitada a valores inferiores a cerca de 55°C. Em combinação com um sistema fotovoltaico, a bomba de calor permite um aquecimento com emissões de CO₂ muito reduzidas.

A escolha do tipo de bomba de calor depende do edifício, do terreno disponível e do orçamento. As bombas de calor ar‑água oferecem o melhor compromisso entre custos de investimento e eficiência, enquanto os sistemas solo‑água atingem as eficiências mais elevadas quando existe espaço e condições para a sua instalação.


Série completa de artigos sobre bombas de calor

  1. Bomba de calor: o guia completo – está aqui
  2. O “anti‑frigorífico”: como funciona uma bomba de calor? – Fundamentos físicos
  3. Componentes: permutadores de calor, compressor e válvula de expansão – Componentes em detalhe
  4. Indicadores e dimensionamento de bombas de calor – COP, JAZ, SCOP
  5. Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido – Modos de operação explicados
  6. Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com sistemas solares – Tipos & combinação com PV

Fontes

  • Dados de mercado internacionais: Mordor Intelligence: Heat Pumps Market Report
  • Quadro regulamentar português: Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 (SCE – Sistema de Certificação Energética dos Edifícios) e respetiva regulamentação
  • Normas europeias relevantes: EN 12831 (cálculo da carga térmica de aquecimento), EN ISO 6946 (cálculo de coeficientes de transmissão térmica U), EN 14511 (ensaio e avaliação de desempenho de bombas de calor), EN 14825 (SCOP)
  • Programas de apoio em Portugal: Fundo Ambiental, Vale Eficiência
  • Sistema de certificação energética: ADENE – SCE

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