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Bomba de calor em edifícios antigos: requisitos, soluções e custos

Em Portugal, uma grande parte do parque habitacional foi construída antes da generalização de requisitos de desempenho energético mais exigentes (Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios – RCCTE de 1990 e, mais tarde, o atual Sistema de Certificação Energética). Estes edifícios mais antigos são responsáveis por consumos de aquecimento elevados e estão no centro da transição energética. A pergunta que muitos proprietários colocam é: uma bomba de calor funciona num edifício antigo pouco ou nada renovado?

A resposta é matizada: sim, uma bomba de calor pode funcionar num edifício antigo – mas nem sempre é a solução mais económica. As bombas de calor de alta temperatura modernas conseguem 70–75 °C de temperatura de ida, mas isso não significa automaticamente eficiência. Este artigo mostra, de forma honesta e sem embelezar, quando uma bomba de calor num edifício antigo faz sentido, que preparações são necessárias e que alternativas existem.

Bomba de calor em edifícios antigos: desafios e soluções


O que é um “edifício antigo” no contexto das bombas de calor?

O termo “edifício antigo” não está definido de forma técnica rigorosa. No contexto das bombas de calor, faz sentido distinguir segundo o nível de desempenho energético e a época de construção:

Época Ano de construção (aprox.) Características típicas Carga térmica (W/m²) Consumo de energia
Pré‑RCCTE antes de 1990 Paredes maciças sem isolamento, caixilharias simples, pontes térmicas marcadas 80–130 180–260 kWh/m².ano
RCCTE inicial 1990–2006 Primeiros requisitos de isolamento, caixilharias duplas, alguma correção de pontes térmicas 60–90 120–180 kWh/m².ano
RCCTE revisto / SCE inicial 2006–2013 Isolamentos mais espessos, caixilharias com vidro duplo baixo emissivo, melhor estanquidade ao ar 40–70 80–130 kWh/m².ano
REH / edifício quase NZEB desde 2013 Bom isolamento, vidros duplos/triplos, sistemas eficientes, muitas vezes já com renovação 30–50 50–90 kWh/m².ano

Regra prática: Quanto mais antigo e pior isolado for o edifício, maior a temperatura de ida necessária – e menor a eficiência da bomba de calor. A fronteira para a falta de viabilidade económica situa‑se, na maioria dos casos, em valores sazonais (JAZ) abaixo de 2,5.


O teste decisivo: verificação aos 55 graus

Antes de pedir orçamentos ou contratar um perito qualificado do SCE, faça este teste simples. Em 24 horas mostra se o seu edifício antigo é, em princípio, adequado para uma bomba de calor.

Instruções passo a passo

Preparação:

  • Escolha um dia muito frio (idealmente entre -5 °C e 0 °C de temperatura exterior; em muitas zonas de Portugal continental bastam 0–5 °C)
  • Aceda ao controlo da sua caldeira (limitação da temperatura de ida)

Execução:

Passo Ação O que acontece
1 Limitar a temperatura de ida a 55 °C Definir na regulação da caldeira
2 Abrir totalmente todas as válvulas termostáticas Caudal máximo para todos os radiadores
3 Esperar 24 horas Deixar o sistema estabilizar
4 Medir as temperaturas em todas as divisões Com termómetro ou termóstato ambiente

Interpretação dos resultados:

Resultado Significado Medida
Em todo o lado 20–21 °C ou mais Edifício adequado para bomba de calor Instalação direta possível, sem renovação obrigatória
⚠️ Algumas divisões frias (18–19 °C) Radiadores pontualmente subdimensionados Substituir radiadores individuais por modelos de baixa temperatura
Em todo o lado claramente frio (< 18 °C) Necessária temperatura de ida elevada Recomenda‑se renovação ou sistema híbrido

Alternativa sem dia muito frio: Utilize o nosso calculador de carga térmica, que segue o método da EN 12831 (em Portugal aplicada via Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios – REH). Para temperaturas de ida superiores a 55 °C, a situação torna‑se crítica para a bomba de calor.


O problema da temperatura de ida em detalhe

A temperatura de ida é o fator decisivo para a eficiência de uma bomba de calor. A base física: o rendimento de Carnot diminui com o aumento da diferença de temperatura entre a fonte de calor e a temperatura de ida do sistema de aquecimento.

Eficiência para diferentes temperaturas de ida

Temperatura de ida Sistema de aquecimento COP (A2/W) JAZ (realista) Avaliação
30–35 °C Piso radiante (edifício novo) 5,0–5,5 4,5–5,0 ✅ Ótimo
40–45 °C Piso radiante (reabilitado), radiadores de baixa temperatura 4,0–4,5 3,5–4,0 ✅ Muito bom
50–55 °C Radiadores standard bem dimensionados 3,2–3,8 2,8–3,3 ⚠️ Aceitável
60–65 °C Radiadores de ferro fundido antigos 2,5–3,0 2,2–2,6 ⚠️ Limite
70–75 °C Bomba de calor de alta temperatura (casos extremos) 2,0–2,5 1,8–2,2 ❌ Pouco viável

Consequência para os custos de exploração:

Suponhamos que uma moradia unifamiliar necessita de 15.000 kWh de calor por ano:

Temperatura de ida JAZ Consumo elétrico Custos (0,25 €/kWh)
35 °C 4,5 3.333 kWh 833 €
45 °C 3,5 4.286 kWh 1.071 €
55 °C 2,8 5.357 kWh 1.339 €
65 °C 2,2 6.818 kWh 1.705 €

Cada aumento de 10 Kelvin na temperatura de ida custa cerca de 250–350 € por ano, assumindo um preço de eletricidade doméstica em Portugal na ordem dos 0,20–0,30 €/kWh.

Bombas de calor de alta temperatura modernas: solução ou marketing?

Os fabricantes promovem cada vez mais bombas de calor de alta temperatura que atingem 70–75 °C de ida. Parece a solução para qualquer edifício antigo – mas é preciso cuidado:

Vantagens:

  • Não é necessário alterar os radiadores
  • Funciona também em edifícios pouco renovados
  • Compatível com edifícios classificados (património)

Desvantagens:

  • JAZ muitas vezes apenas 2,0–2,5 (pouco melhor do que uma caldeira a gás em termos de custos)
  • Preço de aquisição mais elevado
  • Custos de exploração próximos do nível do gás

Avaliação crítica: Com um JAZ de 2,3, uma bomba de calor de alta temperatura é, em termos de custos, semelhante ao gás natural se considerarmos eletricidade a 0,25–0,30 €/kWh e gás a 0,08–0,10 €/kWh (ponto de equilíbrio em torno de COP 2,7–2,9). A vantagem ambiental mantém‑se, mas a vantagem económica é reduzida.


Diagnóstico do edifício: ponto de partida

Antes de decidir, é essencial conhecer o estado atual. Esta lista de verificação ajuda:

Lista de verificação para edifícios antigos

Dados base:

  • [ ] Ano de construção do edifício: _____
  • [ ] Área útil aquecida: ____
  • [ ] Número de ocupantes: ____

Consumo de energia:

  • [ ] Certificado energético (SCE) disponível? (Tipo: Consumo / Necessidades)
  • [ ] Consumo atual: ____ kWh/m².ano ou ____ kg gás GPL / m³ gás natural / litros gasóleo
  • [ ] Convertido em kWh/m².ano: ____ (gasóleo: litros × 10 / m²; gás: m³ × 10 / m²; GPL: kg × 13 / m²)

Sistema de aquecimento:

  • [ ] Sistema atual: Gás natural / GPL / Gasóleo / Elétrico / Biomassa / Rede de calor
  • [ ] Ano da caldeira: ____
  • [ ] Potência da caldeira: ____ kW
  • [ ] Tipo de emissores: Radiadores de ferro fundido / radiadores de chapa / convetores / piso radiante

Envolvente opaca e envidraçada:

  • [ ] Paredes exteriores isoladas: Sim / Não (se sim: ____ cm, ano: ____)
  • [ ] Cobertura ou sótão isolado: Sim / Não (se sim: ____ cm, ano: ____)
  • [ ] Laje sobre cave isolada: Sim / Não (se sim: ____ cm, ano: ____)
  • [ ] Janelas: Simples / Duplas / Vidro duplo / triplo (ano: ____)

Espaço disponível:

  • [ ] Espaço para unidade exterior (mín. 1 m² com 3 m de afastamento de janelas de vizinhos): Sim / Não
  • [ ] Espaço para unidade interior (se necessário): Sim / Não
  • [ ] Espaço para depósito de inércia: Sim / Não

Avaliação do consumo de energia

Calcule o consumo específico e compare com os valores de referência:

Consumo de energia Avaliação Adequação a bomba de calor Recomendação
< 100 kWh/m².ano ✅ Muito bom Bomba de calor diretamente viável Bomba de calor ar‑água ou geotérmica sem renovação obrigatória
100–150 kWh/m².ano ⚠️ Médio Bomba de calor possível, recomendada renovação parcial Fazer teste aos 55 °C; isolar cobertura e/ou laje de cave
150–200 kWh/m².ano ⚠️ Elevado Bomba de calor apenas com renovação ou como híbrido Sistema híbrido ou renovação parcial + bomba de calor
> 200 kWh/m².ano ❌ Muito elevado Renovação profunda obrigatória ou híbrido Primeiro renovar, depois bomba de calor – ou manter solução híbrida a longo prazo

Exemplo de cálculo: Consumo: 2.400 m³ de gás natural para 150 m² de área aquecida
→ (2.400 m³ × 10 kWh/m³) / 150 m² = 160 kWh/m².ano → ⚠️ Recomenda‑se sistema híbrido ou renovação parcial


Cenários de renovação: o que rende mais?

A questão não é “renovação ou bomba de calor?”, mas sim “que nível de renovação é economicamente sensato?”. A tabela seguinte mostra a relação custo‑benefício de medidas típicas (valores de referência para uma moradia de 150 m² em Portugal; custos podem variar consoante região e mercado).

Análise custo‑benefício de medidas isoladas (moradia 150 m²)

Medida Custos (ordem de grandeza) Redução da carga térmica Melhoria da JAZ Amortização (com bomba de calor) Apoios típicos em Portugal
Isolamento da cobertura/sótão (10–20 cm) 5.000–12.000 € 20–30 % +0,5–0,8 8–12 anos Programas de eficiência do Fundo Ambiental / PRR (quando abertos)
Isolamento da laje sobre cave (6–10 cm) 2.000–5.000 € 10–15 % +0,2–0,3 10–15 anos Idem
Isolamento de fachada (ETICS, 8–12 cm) 15.000–35.000 € 25–40 % +0,6–1,0 15–25 anos Idem, por vezes com majorações em reabilitação urbana
Substituição de janelas (vidro duplo baixo emissivo) 8.000–20.000 € 15–20 % +0,3–0,5 20–30 anos Idem

Estratégia com melhor retorno para edifícios antigos com bomba de calor:

  1. Fase 1: Isolar cobertura/sótão + laje sobre cave (7.000–17.000 €)

    • Amortização mais rápida
    • Investimento relativamente reduzido
    • Maior impacto na JAZ (em conjunto +0,7–1,1)
  2. Fase 2: Instalar bomba de calor

    • Já beneficia da Fase 1
    • Melhoria da JAZ, por exemplo, de ~2,5 para ~3,3
  3. Fase 3: Isolamento de fachada (opcional, a médio/longo prazo)

    • Especialmente interessante se coincidir com obras de renovação de fachadas

Tipos de bombas de calor para edifícios antigos

Nem todas as bombas de calor são igualmente adequadas a edifícios antigos. As diferenças estão na eficiência, no investimento e na temperatura de ida possível.

Bomba de calor ar‑água: o standard

Funcionamento: Retira calor do ar exterior (funciona até cerca de -20 °C).

Critério Avaliação Detalhes
Investimento ✅ Mais baixo 10.000–18.000 € para equipamento + 5.000–10.000 € instalação/sistema (valores típicos)
Eficiência com frio ⚠️ Diminui COP ~2,5 a -7 °C (em vez de ~4,0 a +7 °C)
Espaço necessário ✅ Reduzido Unidade exterior (~1 m²) + unidade interior
Licenciamento ✅ Simples Em regra apenas comunicação à câmara/condomínio; atenção a ruído
Ruído ⚠️ Médio 50–60 dB, importante afastamento e proteção acústica
Melhor escolha para Edifícios com consumo < 150 kWh/m².ano e teste aos 55 °C positivo

Bomba de calor geotérmica (solo‑água): a eficiente

Funcionamento: Utiliza a temperatura praticamente constante do solo (8–15 °C) através de sondas verticais ou coletores horizontais.

Critério Avaliação Detalhes
Investimento ❌ Elevado 18.000–30.000 € (coletores) / 25.000–40.000 € (sondas verticais)
Eficiência ✅ Alta e estável COP 4,5–5,0 mesmo com frio exterior
Espaço necessário ❌ Maior Coletores: área exterior significativa / Sondas: perfurações profundas
Licenciamento ⚠️ Necessário Licença da APA/ARH para captação geotérmica de baixa entalpia
Ruído ✅ Muito baixo Apenas unidade interior
Melhor escolha para Edifícios com elevada carga térmica, terreno disponível e perspetiva de longo prazo

Bomba de calor de alta temperatura: a solução de último recurso

Funcionamento: Variante de bomba de calor ar‑água com compressor reforçado e/ou ciclo em cascata, permitindo temperaturas de ida até 70–75 °C.

Critério Avaliação Detalhes
Investimento ⚠️ Mais elevado Tipicamente +20–30 % face a uma ar‑água standard
Eficiência ❌ Inferior JAZ 2,0–2,8 (claramente pior que bombas de baixa temperatura)
Temperatura de ida ✅ Muito alta Até 70–75 °C (compatível com radiadores antigos)
Melhor escolha para Edifícios classificados, impossibilidade de intervir em radiadores/envolvente

Questionar sempre: Bombas de calor de alta temperatura são tecnicamente possíveis, mas muitas vezes não são a solução mais económica. Sistemas híbridos (ver capítulo seguinte) são, em muitos casos, a alternativa mais equilibrada.


Radiadores em edifícios antigos: manter ou substituir?

Os radiadores são o “tradutor” entre a bomba de calor e o espaço interior. Radiadores antigos foram muitas vezes dimensionados para 70–90 °C – bombas de calor trabalham idealmente com 30–50 °C.

Tipos de radiadores em comparação

Tipo Época típica Temperatura de projeto Compatibilidade com bomba de calor Medida
Radiadores de ferro fundido antigos antes de 1970 70–90 °C ❌ Não compatíveis Substituir
Radiadores de chapa standard 1970–2000 60–70 °C ⚠️ Parcialmente compatíveis Fazer teste aos 55 °C, substituir alguns se necessário
Radiadores de baixa temperatura desde 2000 45–55 °C ✅ Compatíveis Manter
Radiadores específicos para bomba de calor (NT+) desde 2010 35–50 °C ✅ Ideais Solução ótima, mas investimento superior
Piso radiante variável 30–40 °C ✅ Perfeito Considerar em reabilitações profundas

Opções de adaptação e custos

Opção 1: Instalar radiadores de baixa temperatura

Radiadores modernos de baixa temperatura têm maior área de permuta e convecção otimizada.

Tipo de radiador Potência (a 45 °C de ida) Preço por unidade (ordem de grandeza) Aplicação
Radiador de chapa NT 600–1.200 W 300–800 € Divisões standard
Radiador seccional NT 800–1.500 W 500–1.200 € Salas maiores, estética “clássica”
Radiador vertical de design NT 1.000–2.000 W 700–1.800 € Corredores, casas de banho

Custo para uma moradia (10 radiadores): 4.000–10.000 € incluindo instalação (valores indicativos)

Opção 2: Ventiladores para radiadores

Ventiladores montados sob o radiador aumentam a convecção:

  • Preço: 50–150 € por unidade
  • Aumento de potência: +20–40 %
  • Consumo elétrico: 5–15 W por ventilador
  • Adequado para: Divisões pontualmente frias, solução económica

Opção 3: Piso radiante em reabilitação

Sistema Tipo de instalação Custos Altura de construção Aplicação
Sistema húmido (com betonilha) Mais intrusivo 50–100 €/m² +8–12 cm Obras de renovação profundas
Sistema de fresagem Médio 80–150 €/m² +2–4 cm Sobre betonilha existente
Sistema de baixa espessura Mais simples 60–100 €/m² +1–2 cm Sobre pavimento existente (cerâmica, etc.)

Em Portugal, estes trabalhos podem ser apoiados em programas de eficiência energética (Fundo Ambiental, PRR) quando abertos, sobretudo em reabilitação de edifícios existentes.

Abordagem pragmática: Nem todos os radiadores têm de ser perfeitos. Substitua apenas os que “chumbam” no teste aos 55 °C. Divisões como corredores, quartos de hóspedes ou arrumos podem funcionar bem com 18 °C – o que reduz o investimento.


Sistemas híbridos: a solução típica para edifícios antigos

Em edifícios antigos pouco renovados, um sistema híbrido (bomba de calor + caldeira a gás/gasóleo/biomassa) é muitas vezes a solução mais equilibrada. A bomba de calor cobre 70–85 % das necessidades anuais de calor, e a caldeira existente entra apenas em picos de carga.

Princípio de funcionamento: bivalência

O ponto de bivalência é a temperatura exterior a partir da qual a bomba de calor, sozinha, já não consegue cobrir a carga térmica.

Modo de funcionamento Princípio Aplicação típica Situação em Portugal
Bivalente‑paralelo Bomba de calor + caldeira funcionam em simultâneo abaixo do ponto de bivalência Standard em edifícios antigos Muito comum em reabilitação com caldeira existente
Bivalente‑alternativo Ou bomba de calor ou caldeira (comutação) Quando a bomba de calor é dimensionada para grande parte da carga Adequado em edifícios já com alguma renovação
Bivalente parcial‑paralelo Bomba de calor sozinha → bomba de calor + caldeira → só caldeira Casos especiais Menos frequente pela complexidade

Exemplo bivalente‑paralelo:

  • Ponto de bivalência: -2 °C
  • Temperatura exterior > -2 °C: só bomba de calor
  • Temperatura exterior < -2 °C: bomba de calor + caldeira

Repartição típica:

  • 80 % da energia anual fornecida pela bomba de calor
  • 20 % pela caldeira (dias mais frios)

Regulação inteligente: preço vs. temperatura

Regulações híbridas modernas conseguem otimizar automaticamente o funcionamento:

Critérios de decisão:

  1. Baseado na temperatura: Abaixo de determinada temperatura → caldeira auxilia
  2. Baseado no preço: Se o custo por kWh útil da bomba de calor for superior ao do gás/gasóleo → caldeira
  3. Baseado em produção fotovoltaica: Com excedentes de PV → priorizar bomba de calor

Fórmula de viabilidade:

COP_limite = Preço eletricidade / (Preço gás / Rendimento da caldeira)

Exemplo:

  • Eletricidade: 0,25 €/kWh
  • Gás natural: 0,09 €/kWh
  • Rendimento caldeira: 90 %

COP_limite = 0,25 / (0,09 / 0,90) ≈ 2,5

→ A bomba de calor é economicamente vantajosa enquanto o COP instantâneo for > 2,5.


Custos globais em edifícios antigos

Os custos de uma bomba de calor num edifício antigo resultam de várias componentes. Segue uma visão realista (ordens de grandeza para Portugal; valores variam com marcas, potência e complexidade da instalação).

Investimentos base em bombas de calor

Componente Ar‑água Geotérmica (coletores) Geotérmica (sondas) Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente)
Bomba de calor 8.000–14.000 € 10.000–16.000 € 10.000–16.000 € 6.000–10.000 € (potência menor)
Fonte de calor Incluída 6.000–10.000 € 10.000–18.000 €
Instalação hidráulica 3.000–6.000 € 4.000–7.000 € 4.000–7.000 € 3.000–5.000 €
Depósito de inércia 1.500–3.000 € 1.500–3.000 € 1.500–3.000 € 1.500–3.000 €
Acumulador de AQS 1.000–2.000 € 1.000–2.000 € 1.000–2.000 € 1.000–2.000 €
Regulação híbrida 1.000–2.000 €
Manter caldeira existente 0–1.000 € (adaptações)
Total base 13.500–25.000 € 22.500–38.000 € 26.500–46.000 € 12.500–23.000 €

Custos adicionais específicos de edifícios antigos

Componente Custos Necessidade
Substituição de radiadores (6–10 unidades) 3.000–10.000 € Se o teste aos 55 °C for negativo
Equilíbrio hidráulico 500–1.500 € Fortemente recomendado; muitas vezes exigido em programas de apoio
Reforço da alimentação elétrica (se necessário) 500–2.000 € Em edifícios antigos com potência contratada baixa
Medidas de isolamento acústico 300–1.500 € Em zonas densas ou fachadas sensíveis
Desmantelamento de caldeira antiga (se não for híbrido) 300–1.000 € Quando se abandona totalmente o sistema antigo
Arranque e otimização 300–800 € Recomendado para maximizar a JAZ

Renovação opcional (recomendada)

Medida Custos Melhoria da JAZ
Isolamento da cobertura/sótão 5.000–12.000 € +0,5–0,8
Isolamento da laje sobre cave 2.000–5.000 € +0,2–0,3
Isolamento de fachada 15.000–35.000 € +0,6–1,0
Substituição de janelas 8.000–20.000 € +0,3–0,5

Cenários de custos (moradia 150 m²)

Cenário Medidas Investimento bruto Apoios potenciais (ordem de grandeza) Encargo líquido
Cenário 1: Edifício já bem renovado Bomba de calor ar‑água + equilíbrio hidráulico 15.000–22.000 € 2.000–5.000 € (programas Fundo Ambiental/PRR, quando disponíveis) 13.000–20.000 €
Cenário 2: Edifício parcialmente renovado Bomba de calor ar‑água + 6 radiadores + isolamento cobertura/cave 25.000–35.000 € 4.000–10.000 € 15.000–31.000 €
Cenário 3: Edifício pouco renovado (híbrido) Sistema híbrido + 4 radiadores 18.000–26.000 € 3.000–8.000 € 10.000–23.000 €
Cenário 4: Edifício pouco renovado (renovação profunda) Bomba de calor geotérmica + renovação da envolvente 50.000–80.000 € 10.000–25.000 € 25.000–70.000 €

Abordagem pragmática: Para edifícios antigos pouco renovados, o Cenário 3 (sistema híbrido) é muitas vezes o melhor compromisso: encargo inicial mais baixo, custos de exploração reduzidos e possibilidade de renovar a envolvente mais tarde.


Realidade dos custos de exploração: JAZ em edifícios antigos

A JAZ (fator de desempenho sazonal) determina a viabilidade económica. Seguem valores realistas para Portugal, por analogia com estudos europeus (por exemplo, EN 14825 e dados de campo de institutos como o Fraunhofer ISE).

Expectativas de JAZ consoante o estado do edifício

Estado do edifício Consumo de energia Temperatura de ida JAZ ar‑água JAZ geotérmica Custos anuais (150 m², 22.500 kWh, 0,25 €/kWh)
Renovado (próximo de NZEB) < 100 kWh/m².ano 35–40 °C 4,0–4,5 4,5–5,0 1.250–1.400 €
Parcialmente renovado (cobertura/cave) 100–150 kWh/m².ano 45–50 °C 3,0–3,5 3,8–4,2 1.600–1.875 €
Pouco renovado (pré‑RCCTE) 150–200 kWh/m².ano 55–60 °C 2,5–3,0 3,2–3,6 1.875–2.250 €
Muito pouco renovado > 200 kWh/m².ano 65–70 °C 2,0–2,5 2,8–3,2 2.250–2.813 €

Comparação com gás natural:

  • Gás natural: 0,09 €/kWh (exemplo)
  • 22.500 kWh / 0,90 (rendimento) = 25.000 kWh de energia final
  • Custos anuais de gás: ~2.250 €

Conclusão: Uma bomba de calor em edifício antigo é economicamente interessante se se conseguir JAZ ≥ 2,7–2,8, face aos preços típicos de eletricidade e gás em Portugal.


Ruído & vizinhança

As bombas de calor geram ruído de funcionamento (tipicamente 50–65 dB de potência sonora). Em bairros densos com edifícios antigos, isto pode ser sensível.

Em Portugal aplicam‑se os limites do Regulamento Geral do Ruído (Decreto‑Lei n.º 9/2007) e regulamentos municipais.

Limites de referência (imissão no recetor)

Período Limite típico em zonas residenciais*
Diurno (07h–23h) ~55 dB(A)
Noturno (23h–07h) ~45 dB(A)

* Podem existir variações consoante o plano municipal de ordenamento e a classificação da zona.

Ponto crítico: Uma bomba de calor com 60 dB de potência sonora pode gerar, a 3 m de distância, cerca de 45–50 dB(A) de nível de pressão sonora – o que pode ser problemático no período noturno se instalada muito perto de janelas de vizinhos.

Soluções possíveis

Medida Efeito Custos (ordem de grandeza) Aplicação
Barreira acústica (2 m de altura, 3 m de largura) -5 a -10 dB 500–1.500 € Instalações próximas de limites de propriedade
Bases antivibráticas -3 a -5 dB (ruído estrutural) 100–300 € Recomendado em fachadas leves
Modo noturno (potência reduzida) -5 a -8 dB 0 € (ajuste de regulação) Em sistemas híbridos ou com boa inércia térmica
Instalação interior Elimina ruído exterior direto +3.000–5.000 € Quando o ruído exterior é crítico
Modelos de baixa emissão sonora Cumprimento de limites sem medidas adicionais +1.000–3.000 € Zonas urbanas densas

Apoios e incentivos em Portugal

Ao contrário da Alemanha (BAFA, KfW), em Portugal os apoios são geridos sobretudo pelo Fundo Ambiental, pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e, em alguns casos, por programas municipais ou benefícios fiscais.

Programas nacionais (situação típica 2024–2026)

Os programas são lançados em avisos periódicos, pelo que é essencial verificar as condições atualizadas em:

Programas relevantes (nomes e linhas podem variar ao longo do tempo):

Tipo de medida Exemplos de programas recentes Apoio típico
Bombas de calor e sistemas de aquecimento eficientes “Edifícios mais sustentáveis”, “Vale Eficiência” Comparticipação a fundo perdido, tipicamente 50–85 % de um teto de custo elegível por equipamento
Isolamento térmico (coberturas, fachadas, pavimentos) “Edifícios mais sustentáveis” Percentagem do investimento (por ex. 70 % até um certo limite por tipologia)
Janelas eficientes “Edifícios mais sustentáveis” Apoio por m² de janela substituída, até um teto global
Sistemas solares térmicos e fotovoltaicos “Edifícios mais sustentáveis”, linhas PRR para autoconsumo Comparticipação de parte do investimento, por vezes com majorações para autoconsumo coletivo

Além dos apoios diretos, podem existir:

  • Benefícios fiscais em IMI ou IRS em áreas de reabilitação urbana (ARU), quando a intervenção é enquadrada como reabilitação;
  • Tarifas de autoconsumo e compensação de excedentes para sistemas fotovoltaicos, reguladas pela ERSE.

Em Portugal, o equivalente à “BAFA‑Förderung” e aos programas KfW são estes avisos do Fundo Ambiental e linhas do PRR. As regras mudam com frequência: é indispensável consultar o aviso em vigor para conhecer percentagens, tetos de apoio e elegibilidade (por exemplo, se o edifício é residência permanente, se está numa ARU, se o agregado é economicamente vulnerável, etc.).

Certificação energética e requisitos legais

Em Portugal, o desempenho energético dos edifícios é regulado pelo Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e pelo Sistema de Certificação Energética (SCE), gerido pela ADENE.

Pontos relevantes:

  • Certificado energético obrigatório:
    • Em edifícios novos;
    • Em transações (compra/venda) e contratos de arrendamento;
    • Em grandes intervenções de reabilitação.
  • O certificado atribui uma classe energética (A+, A, B, …, F, G) e recomendações de melhoria (por exemplo, instalação de bomba de calor, isolamento, janelas).
  • Para cálculo de coeficientes de transmissão térmica (U‑values) aplica‑se a EN ISO 6946, transposta para o contexto nacional através do REH e respetivos manuais de cálculo.
  • Para dimensionamento de sistemas de aquecimento e bombas de calor, a metodologia baseia‑se na EN 12831 (cálculo da carga térmica), tal como em outros países europeus.

Erros frequentes em edifícios antigos

Alguns erros típicos podem comprometer o investimento:

Erro Consequência Perda/custo Solução
1. Bomba de calor subdimensionada Resistência elétrica entra muitas vezes em funcionamento (COP ~1,0) +30–50 % de consumo elétrico Dimensionar com base em cálculo de carga térmica (EN 12831 / REH)
2. Bomba de calor sobredimensionada Ciclos curtos, desgaste -1,0 na JAZ, vida útil reduzida Dimensionamento rigoroso, não “jogar pelo seguro” em excesso
3. Falta de equilíbrio hidráulico Distribuição desigual de calor -15–20 % de eficiência Fazer equilíbrio hidráulico após alterações
4. Ignorar o teste aos 55 °C Temperaturas de ida demasiado altas Custos de exploração elevados Fazer o teste e adaptar radiadores se necessário
5. Escolher bomba de alta temperatura sem análise JAZ 2,0–2,5, pouco melhor que gás +300–800 €/ano face a solução otimizada Preferir sistemas híbridos ou renovação parcial
6. Curva de aquecimento mal ajustada Temperatura de ida desnecessariamente alta -0,5 a -1,0 na JAZ Otimizar curva de aquecimento e horários
7. Tubagens de aquecimento sem isolamento Perdas de calor em caves e zonas não aquecidas -5–10 % de eficiência Isolar tubagens (custo reduzido, grande impacto)
8. Ruído subestimado Conflitos com vizinhos, necessidade de relocalização Custos adicionais significativos Prever localização, barreiras acústicas e escolher modelos silenciosos

Passo a passo: como decidir bem

Fase 1: Análise (1–2 semanas)

Lista de tarefas:

  • [ ] Obter o certificado energético (SCE) ou recolher consumos dos últimos 3 anos
  • [ ] Calcular o consumo específico: kWh/m².ano
  • [ ] Realizar o teste aos 55 °C num dia frio
  • [ ] Utilizar o calculador de carga térmica: ligação para a ferramenta
  • [ ] Pedir propostas a 2–3 instaladores (incluindo cálculo de carga térmica e verificação de radiadores)

Fase 2: Matriz de decisão (3–4 semanas)

SE consumo < 100 kWh/m².ano E teste aos 55 °C OK:
  → Bomba de calor (ar‑água ou geotérmica)
  → Procurar apoios do Fundo Ambiental/PRR
  → Encargo líquido típico: 13.000–20.000 €

SE consumo 100–150 kWh/m².ano E teste aos 55 °C parcialmente OK:
  → Opção A: Isolar cobertura + laje de cave, depois bomba de calor
  → Opção B: Sistema híbrido (bomba de calor + caldeira existente)
  → Encargo líquido: ~15.000–30.000 € (dependendo do nível de renovação)

SE consumo 150–200 kWh/m².ano OU teste aos 55 °C negativo:
  → Opção A: Renovação parcial + bomba de calor (melhor solução a médio prazo)
  → Opção B: Sistema híbrido (investimento inicial mais baixo)
  → Encargo líquido: ~20.000–40.000 € (Opção A) / ~10.000–23.000 € (Opção B)

SE consumo > 200 kWh/m².ano E teste aos 55 °C claramente negativo:
  → Primeiro renovar (cobertura/fachada/cave), depois bomba de calor
  → OU manter sistema híbrido a longo prazo
  → Encargo líquido: >25.000 € (renovação profunda) / ~10.000–23.000 € (híbrido)

Fase 3: Otimizar apoios (5–6 semanas)

Em Portugal, não existe um único formulário centralizado como na BAFA/KfW. Em vez disso:

  1. [ ] Verificar avisos abertos no Fundo Ambiental e no Portal do PRR
  2. [ ] Confirmar se o edifício e o agregado familiar cumprem os critérios (residência permanente, rendimento, localização, etc.)
  3. [ ] Recolher orçamentos detalhados (com discriminação de equipamentos e trabalhos)
  4. [ ] Submeter candidatura antes de adjudicar definitivamente as obras (em muitos avisos, despesas anteriores à candidatura não são elegíveis)
  5. [ ] Após aprovação, executar a obra e submeter faturas e comprovativos

Em intervenções mais complexas (renovação profunda, combinação de várias medidas), pode ser útil envolver um perito qualificado do SCE para:

  • Otimizar o pacote de medidas;
  • Garantir que a intervenção melhora efetivamente a classe energética;
  • Preparar documentação técnica para candidaturas.

Fase 4: Implementação (10–20 semanas)

Semana Medida Duração Custos
10–11 Assinatura de contrato (após confirmação de apoios, se aplicável) 0 €
12–16 Execução (eventual renovação + instalação da bomba de calor) 2–4 semanas Conforme contrato
17 Arranque e afinação 1 dia Incluído na instalação
18–20 Fase de otimização (ajuste de curvas, horários) 2–4 semanas 0 € (se feito pelo utilizador)
20+ Entrega de documentação para apoios 0 €
Após aprovação Receção do apoio financeiro Crédito em conta

Conclusão: quando compensa realmente a bomba de calor em edifícios antigos?

Pontos‑chave:

  1. O teste aos 55 °C é o indicador mais importante – se for bem‑sucedido, a bomba de calor é, em regra, viável sem grandes alterações nos emissores.
  2. Sistemas híbridos são muitas vezes a melhor solução para edifícios pouco renovados – investimento inicial moderado, custos de exploração controlados e flexibilidade para renovar a envolvente mais tarde.
  3. Renovação parcial (cobertura + laje de cave) oferece o melhor retorno – investimento relativamente baixo, redução significativa da carga térmica e melhoria clara da JAZ.
  4. Bombas de calor de alta temperatura devem ser a exceção – a sua eficiência é frequentemente apenas marginalmente melhor do que o gás, sobretudo com preços de eletricidade elevados.
  5. Apoios públicos em Portugal existem, mas são por avisos – é essencial verificar o Fundo Ambiental/PRR antes de avançar, para não perder oportunidades de financiamento.
  6. Uma JAZ abaixo de ~2,7–2,8 é economicamente fraca face ao gás natural – nestes casos, um sistema híbrido ou uma renovação prévia fazem mais sentido.

Regra de ouro para proprietários de edifícios antigos em Portugal:

  • Consumo < 150 kWh/m².ano: Bomba de calor diretamente (eventualmente com pequenas melhorias na envolvente)
  • Consumo 150–200 kWh/m².ano: Sistema híbrido ou renovação parcial + bomba de calor
  • Consumo > 200 kWh/m².ano: Renovação da envolvente em primeiro lugar ou solução híbrida a longo prazo

Uma bomba de calor em edifícios antigos é tecnicamente quase sempre possível – a questão é se é economicamente sensata. Com este guia, tem as ferramentas para responder a essa pergunta para o seu caso concreto. O teste aos 55 °C, o cálculo da carga térmica e uma análise de custos de ciclo de vida permitem escolher o caminho mais adequado.

Próximo passo: Utilize o nosso calculador de carga térmica para determinar a potência necessária – base de qualquer decisão fundamentada.


Perguntas frequentes (FAQ)

1. Uma bomba de calor funciona num edifício antigo não renovado?

Sim, tecnicamente funciona – a questão é a viabilidade económica. Com JAZ abaixo de ~2,7–2,8, os custos de exploração aproximam‑se dos de uma caldeira a gás. Sistemas híbridos são muitas vezes a melhor solução: a bomba de calor cobre a maior parte do ano, a caldeira entra apenas em picos de frio.

2. Preciso de piso radiante para instalar uma bomba de calor?

Não necessariamente. Radiadores modernos de baixa temperatura funcionam bem com bombas de calor (ida 45–50 °C). O piso radiante é ideal, mas não obrigatório. O teste aos 55 °C mostra se os radiadores existentes são suficientes.

3. Quão ruidosa é uma bomba de calor num edifício antigo?

Modelos atuais têm potências sonoras típicas de 50–60 dB. A cerca de 3 m, isto corresponde a 45–50 dB(A). Em zonas residenciais e durante a noite, é importante respeitar os limites do Regulamento Geral do Ruído. Soluções: barreiras acústicas, modo noturno, instalação interior ou escolha de modelos particularmente silenciosos.

4. Quanto custa uma bomba de calor num edifício antigo?

Encargos líquidos típicos após apoios (quando disponíveis):

  • Edifício já renovado: 13.000–20.000 € (bomba de calor ar‑água)
  • Edifício parcialmente renovado: 15.000–31.000 € (incluindo melhorias na envolvente)
  • Edifício pouco renovado (híbrido): 10.000–23.000 €

5. Que apoios existem em Portugal?

Os apoios são lançados em avisos (por exemplo, “Edifícios mais sustentáveis”, “Vale Eficiência”) e podem incluir:

  • Comparticipação de parte do custo de bombas de calor, isolamento, janelas e sistemas solares;
  • Majorações para agregados vulneráveis ou edifícios em reabilitação urbana;
  • Benefícios fiscais associados à reabilitação em ARU.

É indispensável consultar o Fundo Ambiental e o Portal do PRR para conhecer as condições em vigor.

6. Posso manter a minha caldeira a gás/gasóleo (sistema híbrido)?

Sim. Sistemas híbridos (bomba de calor + caldeira existente) são muitas vezes ideais em edifícios antigos:

  • A bomba de calor cobre 70–85 % das necessidades anuais;
  • A caldeira entra apenas nos dias mais frios;
  • O investimento inicial é menor do que uma renovação profunda da envolvente.

7. Em quanto tempo se amortiza a bomba de calor num edifício antigo?

Depende do cenário:

  • Sistema híbrido: tipicamente 8–12 anos face à substituição por uma caldeira nova;
  • Bomba de calor com renovação parcial: 12–18 anos;
  • Bomba de calor sem renovação (JAZ baixa): amortização longa e incerta – deve ser analisada com cuidado.

8. O que é o ponto de bivalência?

É a temperatura exterior a partir da qual a bomba de calor, sozinha, já não consegue cobrir a carga térmica e a caldeira auxiliar entra em funcionamento. Em Portugal, situa‑se muitas vezes entre 0 °C e -5 °C, dependendo da zona climática e do dimensionamento.

9. Preciso de um perito do SCE ou engenheiro para o projeto?

Não é sempre obrigatório, mas é fortemente recomendado quando:

  • O edifício tem consumo > 150 kWh/m².ano;
  • Estão previstas várias medidas de renovação;
  • Se pretende candidatar a apoios significativos.

Um perito qualificado pode:

  • Otimizar o pacote de medidas;
  • Garantir o cumprimento do REH;
  • Maximizar a melhoria da classe energética no certificado.

10. Uma bomba de calor funciona também a -10 °C ou menos?

Sim. Bombas de calor modernas funcionam até cerca de -20 a -25 °C. O COP diminui com o frio, mas em grande parte de Portugal temperaturas abaixo de -5 °C são raras, pelo que o impacto na JAZ anual é limitado. Em situações extremas, um aquecimento auxiliar elétrico ou uma caldeira de apoio (sistema híbrido) asseguram o conforto.


Série completa “Bombas de calor”

  1. Bomba de calor: o guia completo – visão geral
  2. O “anti‑frigorífico”: como funciona uma bomba de calor? – bases físicas
  3. Componentes: permutador, compressor e válvula de expansão – componentes em detalhe
  4. Indicadores e dimensionamento de bombas de calor – COP, JAZ, SCOP
  5. Modos de funcionamento: monovalente, bivalente e híbrido – modos de operação
  6. Tipos de bombas de calor e a combinação ideal com solar – tipos & combinação com PV
  7. SCOP explicado: o fator de desempenho sazonal – avaliar corretamente a eficiência
  8. Ajustar corretamente a bomba de calor: guia prático – curva de aquecimento, equilíbrio hidráulico, melhorar JAZ
  9. Calcular a potência da bomba de calor: como fazer bem – dimensionamento correto
  10. Custos de bombas de calor: investimento, exploração, apoios – visão completa de custos
  11. Bomba de calor em edifícios antigos: requisitos, soluções e custos – está aqui

Fontes


Calcular carga térmica & dimensionar a bomba de calor

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